Resumos

Beatriz Lorena Macedo Cruz

A CONQUISTA DO ESPAÇO FEMININO NO ENSINO SUPERIOR: UM OLHAR SOBRE O CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA.

O trabalho de pesquisa teve como objetivo demonstrar o processo de conquista do espaço feminino nos cursos de educação física do Brasil, apresentando as questões de gênero existentes em relação ao feminino, a partir de publicações científicas da língua portuguesa na área da educação física no ensino superior. Para o levantamento de dados utilizou-se de revisão sistemática com as palavras-chave representatividade, empoderamento feminino, gênero, educação física; foram utilizadas ao final do processo 8 obras que atenderam aos critérios de inclusão e exclusão. Após o estudo concluiu-se que a representatividade de mulheres que frequentam o curso de educação física ainda não é equivalente a dos homens, por uma série de motivos já mencionados. Entretanto, as estimativas são de que o nível de representatividade destas mulheres cresça progressivamente nos anos que ainda virão.

Alef Monteiro de Souza, Marilu Marcia Campelo

Racismo Institucional Contra Mulheres Negras Na Assembleia De Deus: Notas Sobre Aspectos Gerais.

A comunicação sintetiza parte dos resultados de uma pesquisa sobre o racismo institucional contra mulheres negras na Assembleia de Deus. O objetivo é elucidar aspectos gerais da incidência do racismo institucional assembleiano na vida das mulheres negras que integram a comunidade religiosa lócus do estudo. A investigação consistiu em um estudo de caso em uma congregação da Assembleia de Deus no município de Castanhal, Pará, e a metodologia empregada foi a observação participante, realização de entrevistas e pesquisa documental. Os resultados apontam que a lógica de organização da Assembleia de Deus é racista e os “usos e costumes” (estratégias de branqueamento que se encaixam no que Fanon chamou de “máscaras brancas”) se configuram em ferramenta central de regulação do acesso desigual aos cargos de liderança. As mulheres negras são afetadas de várias formas por essa regulação racista.

Eliany Cristina dos Santos Fonseca, Andréa Mello Pontes, Diego de Almeida Amoras

A dupla invisibilização da mulher no sistema penitenciário feminino. .

A inquietação acerca do tema surgiu através da experiência como estagiaria no periodo de maio de 2018 a maio de 2019 no CRF Ananindeua, em que foi possível observar que as mulheres que se encontram encarceradas sofrem uma dupla invisibilização por conta da reafirmação das relações patriarcais dentro do sistema penitenciário. Entendendo que o sistema penitenciário como um todo é construído por homens e para homens. Portanto o objetivo deste trabalho é analisar a invisibilização da mulher encarcerada, seguindo dos objetivos específicos que são identificar as relações patriarcais presentes no sistema penitenciário feminino e de que forma as relações patriarcais consolidam o sistema penitenciário. A metodologia utilizada foi a pesquisa documental em diário de campo e a observação sistemática. A invisibilização da mulher encarcerada é causada por relações patriarcais anteriores a sua prisão.

Natália Aguiar de Barros, Thalia Karoline Santos Gomes, Maria do Socorro Rayol Amoras

Feminismos Plurais: refletindo as resistências Latino-americanas. .

Este trabalho integra uma pesquisa maior intitulada "Mulheres Quilombolas em Movimento: o protagonismo feminino na organização social e política do território". Este artigo apresentará uma breve análise dos Femininos Plurais e suas resistências. Nesse sentido, o artigo tem como objetivo constestar as narrativas hegemônicas da historiografia tradicional que, quando aborda a luta de resistência dos grupos oprimidos, faz referência ao protagonismo dos homens, repelindo a existência da participação das mulheres nessa luta e, quando as reconhecem, aludem ao feminismo branco eurocentrado. A metodologia valeu-se da pesquisa bibliográfica da literatura acerca da temática, recorrendo à intersccionalidade como ferramenta teórico-metodológica. Por meio desse trabalho ficou evidente a existência de feminismos plurais latino-americanos que enfrentam e resistem a lógica excludente que lhes é imposta.

Luana Nery Fonseca, Lana Claudia Macedo da Silva

Relações de gênero no ambiente escolar: um debate necessário. .

O artigo objetiva analisar a importância da temática das relações de gênero no ambiente escolar, em contraposição as desigualdades existentes nesse espaço ao longo de seu processo histórico e social. A elaboração metodológica ocorreu por meio de pesquisas bibliográficas. Constata-se que a escola tem sido espaço de reprodução de desigualdades ao reforçar as diferenças entre as categorias de gênero, no modo como a menina e o menino deveriam ser e se construírem socialmente. Desse modo, é imperioso o debate sobre gênero com vistas a desconstrução de preconceitos e pré-noções que favorecem a construção de ambientes hierárquicos e violentos nas relações entre os gêneros.

Elizandra Gomes De Lima, Ana Maria Smith Santos

A Negação Do Labor Doméstico Feminino De Idosas No Município De Breves/Marajó (Pa) .

Este ensaio objetiva refletir sobre as dificuldades das mulheres marajoaras residentes no núcleo urbano de Breves-PA de acessar a água compreendendo tal problema como parte do não alcance de uma cidadania plena. É resultante do estudo realizado na tese de doutorado em Antropologia Social de uma das autoras e do projeto de pesquisa PIBIC – Prodoutor. As metodologias aplicadas foram a Etnografia e a História Oral, respectivamente, realizadas junto às idosas participantes dos Centro de Referência e Assistência Social municipais nos anos de 2014 a 2018 e em 2019. O debate interpreta que o acesso à água é um direito humano e que as mulheres de periferia são as que mais sofrem com a água de péssima qualidade em suas residências. Foi possível identificar, nas pesquisas, as estratégias diárias para adquirir água e realizar suas tarefas, constituindo-se numa problemática constante em suas vidas.

David Junior de Souza Silva

A Matriarcalidade na constituição da memória social do Quilombo do Rosa .

O objetivo da pesquisa e interpretar o significado da memória social da comunidade do Rosa na sua contemporânea mobilização por reconhecimento de sua cidadania. Busca-se assim interpretar o lugar do passado na construção do futuro da comunidade. A metodologia adotada foi a da etnografia junto à comunidade. Como resultados identificamos que o passado e fonte de força política da comunidade, não apenas no sentido de dele emanar a legitimação do direito reivindicado, mas também de dele emanar a motivação, o sentido e a forca moral para a luta. Sobre a estrutura da memória social, a lembrança do passado é estruturada conforme as lembranças de ações, liderança e episódios das mulheres da comunidade. A distinção dos tempos sociais do passado da comunidade tem como eixo estrutural sempre a presença de uma mulher quilombola como referência para se lembrar do passado.

João Paulo Alves Costa

Mulheres do Quilombo de Icatu: gênero, identidade e saberes .

O presente trabalho intitulado: Mulheres do Quilombo do Icatu: gênero, identidade e saberes é o resultado dos desdobramentos da pesquisa de mestrado defendido em 2017 no PPGEDUC (Programa de Pós-graduação em Educação e Cultura), Campus da Universidade Federal do Pará, município de Cametá/Pa. Ele trava uma discussão acerca do processo de constituição da identidade, das relações de gênero e dos saberes oriundos das mulheres negras do Quilombo de Icatu, situado no município de Mocajuba, Nordeste do estado do Pará.

Maria Santana dos Santos Pinheiro Teixeira, Mayara Alves Azevedo, Maria do Socorro Rayol Amoras

Gênero, Raça E Resistência: Análise das produções sobre mulheres negras quilombolas na organização social e política do território

Este trabalho integra uma pesquisa maior intitulada "Mulheres Quilombolas em Movimento: o protagonismo feminino na organização social e política do território", em duas regiões, norte e sul do Brasil, realizada no âmbito do curso de Serviço Social. Tem por objetivo fazer uma análise e discussão do papel da mulher negra quilombola na organização social e política do território. Utilizando a metodologia da pesquisa bibliográfica. Dessa forma, evidenciamos que o papel da mulher negra quilombola é resultante de processos históricos da ancestralidade, destacando-se a resistência e seu protagonismo na organização social e política da comunidade, pelo empoderamento, engajamento e ativismo no movimento social, na luta pelo território e reconhecimento de sua terra, pela valorização de sua identidade de mulher negra quilombola e sua cultura, no acesso a direitos, a políticas públicas e cidadania.

Maria Cristina Maneschy

Abigail: protagonismo feminino em contexto patriarcal, a partir de uma personagem bíblica

Reflexão sociológica sobre protagonismo de mulheres em contexto patriarcal, pela análise da personagem bíblica Abigail, retratada no livro de Samuel (1Sm 25, 1-43). Nos limites do papel “esposa”, impediu massacre de grandes proporções, episódio crucial na trajetória de Davi, rei de Israel. A abordagem inspira-se em teólogos sobre cristianismo e a posição das mulheres e em teóricas feministas sobre gênero e poder. Detectou-se que duas leituras são possíveis. 1) A narrativa enfatiza o padrão tradicional, com mulheres reagindo dentro dos papéis convencionais. 2) Mulheres desconstruíam na prática a ordem de gênero. Abigail, sem exércitos e cargos, reverteu decisão de guerra com argumentos de paz e perdão. Conclui-se que ela questionou as relações de gênero para além de seu tempo, mas persiste silêncio histórico do poder que teve sobre homens e armas.

Luana Mesquita De Araújo, Maria Do Socorro Rayol Amoras

Inú Dúdú: Reflexos Da Ancestralidade Feminina Yorubana Na Organização Política Das Mulheres Quilombolas Amazônidas

Este estudo exploratório propõe um diálogo sobre as memórias, identidades, culturas africanas refletidas na organização política das mulheres quilombolas. Ainda, busca apresentar uma perspectiva de como os femininos, as tradições culturais dessas lideranças representam as ancestralidades femininas yorubanas, às mães ancestrais enquanto berço dessa civilização, o “Inú dudú” (útero negro). Os pressupostos teórico-metodológicos consistiram em uma pesquisa qualitativa, sendo a análise das narrativas coletadas mediante os registros orais, escritos e audiovisuais; para tal, utilizamos os autores: Santos (2014), Almeida (2004), entre outros. Nesse sentido, entender como as memórias e culturas são pensadas para as lideranças mulheres quilombolas, é, sobretudo, compreender que os quilombos constituem o retrato da diversidade, em seu bojo de significações plurais, como a própria Mãe África.

Jacqueline Tatiane da Silva Guimarães

Adolescentes Negras: Reflexões Sobre Juventudes E Diversidade Étnico-Racial Na Amazônia

Realizamos considerações sobre juventudes, compreendendo em sua pluralidade, articulando sobretudo à perspectiva do debate étnico-racial, tendo como principal foco de nossas reflexões o quadro social o qual as adolescentes negras na Amazônia estão inseridas. Objetivos: i) Analisar as particularidades das vivências das adolescentes negras na Amazônia e ii) Identificar os recorrentes tipos de violência sofrida pelas adolescentes negras na Amazônia. Pesquisa exploratória, parte de levantamento bibliográfico e documental, em que utilizamos artigos, dissertações, teses, e dados oficiais do Ministério da Saúde e do Mapa da Violência de 2019. Observamos que as adolescentes negras são atravessadas por diferentes marcadores sociais que envolvem aspectos como geração, gênero, raça e classe, tornando-as as principais vítimas de diferentes tipos de violações de direitos no território amazônico.

Bárbara Leal Rodrigues, Maurício Zeni

Ser feminista é...: As representações sobre o feminismo na imprensa paraense (1912-1922)

A pesquisa tem como objetivo analisar as representações ao feminismo nos impressos paraenses, no período entre 1912-1922, por reconhecer como um momento de mudanças sociais e políticas em relação à emancipação e participação pública feminina. Essas representações, grosso modo, configuram-se como positivas e negativas ao feminismo. Para fazer tais atribuições, foi necessário compreender o modelo de mulher-mãe, a imprensa feminina e a aceitação social às reivindicações emancipatórias. Para esses resultados, foi empregada a análise de jornais e revistas, a partir de métodos qualitativos, buscando encontrar regularidades nos dados. A partir disso, compreendemos os diversos discursos na imprensa, como um reflexo da sociedade paraense do período, sobre o feminismo e as mudanças que estava e poderia causar.

Adria da Silva Brito, Luiz Augusto Pinheiro Leal

Mulher e escrava: uma análise do trabalho de ganho em Belém do Grão-Pará de 1840 a 1860

O presente artigo apresenta os resultados da pesquisa sobre as escravas de ganho que apareciam no jornais de Belém do Grão-Pará durante os anos de 1840 a 1860. O objetivo principal é analisar e compreender as atividades das escravas de ganho que circulavam pelas ruas de Belém. A metodologia utilizada foi a pesquisa documental baseada nos métodos e procedimentos adotados pela micro-história. As escravas de ganho tiveram papel relevante na sociedade escravocrata no Brasil do século XIX. Na Província do Pará o trabalho de ganho proporcionou as mulheres escravas a mobilidade social uma vez que transitavam pelas ruas praças e até nas festas da igreja, e assim mantinham contatos sociais com outros sujeitos, e até certa liberdade, liberdade essa restrita pelo controle das autoridades, leis e decretos.

Danila Gentil Rodriguez Cal, Camila Fagundes Leal, Lorena Esteves

Telenovelas, gênero, interseccionalidade e relações de poder: análise das representações sobre trabalhadoras domésticas na TV Globo

Investigamos as representações de trabalhadoras domésticas em telenovelas da TV Globo, antes e após a promulgação da PEC das Domésticas (66/2012). Analisamos as novelas “Avenida Brasil” (2012), “A regra do Jogo” (2015) e “A Dona do Pedaço” (2019), identificando como são construídas as personagens das trabalhadoras, os contextos sociais, bem como, as relações de poder e questões interseccionais, considerando que as novelas são centrais na tematização das realidades socioculturais brasileiras (HAMBURGUER, 2011). Como aporte teórico, trabalhamos com mídia, gênero e classe (BIROLI, 2011), interseccionalidade (HOOKS, 2015; DAVIS, 2016; CREENSHAW, 2004) e a situação da mulher na sociedade brasileira (GONZALEZ, 1982, 1984; CARNEIRO, 2015). Os resultados apontam para a reprodução de estereótipos, invisibilidade interseccional e tensionamentos nas relações de poder entre patrões e trabalhadoras.

Franciane Gama Lacerda

“Tipos populares”: gênero e cotidiano em Belém (finais do século XIX)

As vivências urbanas na cidade de Belém, em finais do século XIX, são apresentadas em parte da historiografia por um entrelaçamento com a economia da borracha e os muitos desdobramentos desse processo, como a disciplinarização do espaço e uma higienização dos costumes. Para além disso, no entanto, há uma intensa circulação de pessoas, chamadas pela imprensa paraense de “Tipos populares”. Trata-se de mulheres que tinham sido escravas, de parteiras, de vendedoras do mercado, dirigentes de irmandades, e de pastorinhas que constroem um cotidiano marcado por práticas de cura, de lazer e de solidariedade. Esta comunicação discute as representações desses sujeitos sociais por meio de descrições e de conversas com estes, publicadas no jornal Folha do Norte, que permitem compreender relações de gênero mediadas por questões como raça e identidade.

Maria Goreti Góes da Rocha, Maria José da Silva Aquino Teisserenc

A Construção Social da Violência Contra a Mulher

Este trabalho tem por objetivo analisar a construção social das relações de gênero. Busca-se compreender como se dá a formação do dualismo homem/mulher, que produz uma relação de oposição e subordinação, cuja face mais nefasta revela-se na violência, cujo status quo – situação atual – é de recrudescimento, não obstante os avanços, as conquistas nas últimas décadas. A perspectiva adotada é com base na análise antropológica do paradigma patriarcal de Carlos Plastino (2017). Faz-se um contraponto com a abordagem baseada na Teoria da Dinâmica da Relação, defendida por Maria Filomena Gregori (1993), com o intuito de revelar que a discordância das abordagens é referente a questão do poder no âmbito da relação conjugal. Sendo a Teoria das Tipologias da Violência entre Parceiros Íntimos de Michael Johnson (2011), um referencial importante neste debate.

Luana de Nazaré, Rachel de Oliveira Abreu

Entrando na roda: relações de gênero no Movimento Capoeira Mulher em Belém- PA

A pesquisa analisa o papel das mulheres participantes do Movimento Capoeira Mulher na cidade de Belém, e busca compreender as relações de gênero ali existentes. O movimento foi idealizado para dar visibilidade à participação feminina na capoeira do estado do Pará, visto que, desde sua formação existem disparidades entre homens e mulheres no ambiente desta prática, como ausência de “Mestras”. A pesquisa apresenta a arte cultural desta prática e o início da participação feminina na capoeira belenense, apresentando as relações de gênero assimétricas nas rodas e as relações de poder envolvidas no universo da capoeira, remontando a trajetória do Movimento Capoeira Mulher e sua importância para construção de representatividade feminina nas rodas de capoeira.

Lucenilda dos Santos Passos, Luiz Augusto Pinheiro Leal

“Nova Capoeiragem Da Mulher”: A Atuação Feminina Na Prática Da Capoeira Em Belém No Final Do Século XIX E Início Do XX

O presente trabalho pretende abordar a atuação das mulheres na prática da capoeira em Belém no final do século XIX e inicio do XX. Através dos relatos jornalísticos, literatura e legislação (Códigos de Postura e Penal), Objetivando analisar as ações de mulheres capoeiras nos espaços públicos, como no trabalho do meretrício e comércio de rua. Esse estudo se baseia no diálogo com temas de história da Amazônia (SALLES, 2015) associado com leituras sobre feminismo (RAGO, 2012; HOOKS, 2014; BARRETO, 2005). Dessa forma, foi possível identificar que a atuação feminina resistiu em meio a uma sociedade repleta de censuras sendo sujeitas ativas.

Erika Fabíola Ribeiro Dias, Cibelle de Cássia Soares Franco, Sandra Regina Alves Texeira

Estudo de Caso: Invisibilidade de Docentes Negras em IES - Ananindeua- PA

Este trabalho problematiza sobre a invisibilidade das docentes negras em Instituição de Ensino Superior, possibilitando contribuir para o debate étnico-racial e gênero, pautado na interseccionalidade, analisando fatores históricos de preconceito, racismo institucional, concernente a contratação. A metodologia é Estudo de Caso com observação participante, exames de legislações específicas para analisar o processo de seletividade ''embranquecimento'' na IES. Aplicar-se-á questionários para compreender as representações sociais das docentes, problematizando sua identidade étnico- racial, e investigar como funciona a estruturação do racismo institucional e discriminação de gênero. A pesquisa ainda em construção tem relevância científica e social para garantir os direitos sociais e fundamentais no exercício profissional das mulheres negras na Amazônia historicamente tão violados.

Benedito Emílio da Silva Ribeiro, Maria Madalena dos Santos do Carmo, Vanderlúcia da Silva Ponte

Corpo, identidade e natureza entre os Tenetehar-Tembé: o contexto do Ritual da Menina-Moça

A pesquisa analisou o Ritual da Menina-Moça entre os Tenetehar-Tembé e buscou compreender os processos de fabricação dos corpos, sobretudo das jovens Tembé, estabelecendo suas conexões com a identidade e a natureza. Este ritual de passagem possui um caráter eminentemente feminino, por conta de seus corpos em metamorfose e do sangue menstrual, que tem o poder de atrair os karuwaras, fazendo desta um sujeito poderoso ao longo do ritual e de toda sua vida, pois seu corpo fica susceptível à agência destes seres. A pintura com jenipapo protege a “menina-moça” de doenças e da ação de espíritos errantes, mas também estabelece harmonia com as karuwaras, que vem dançar e brincar, promovendo conexões com a natureza e a ancestralidade. Assim, a Festa da Menina-Moça representa um marcador central na vida Tembé, onde a mulher Tenetehar possui papel fundamental na dinamização da cultura deste povo.

Letícia Cardoso Gonçalves, Lourdes de Fátima Gonçalves Furtado

“A lua mexe com a mulher”: percepções sobre corpo e saúde entre as mulheres da comunidade do Caju-Una (Soure/Marajó)

As noções sobre corpo e saúde comportam uma variedade de significados dentro do campo da antropologia; noções essas que podem variar entre princípios religiosos, sociais, políticos etc. Neste sentido, o seguinte trabalho objetiva fazer uma reflexão acerca de uma representação específica daquilo que se entende por um corpo saudável feminino tendo como locus de pesquisa a comunidade do Caju-Una no município de Soure (Marajó). Através de pesquisas de campo neste espaço foi possível observar o papel que parteiras, a utilização de plantas medicinais e a presença de seres encantados ocupam na manutenção de uma saúde entre as mulheres dessa comunidade. As dinâmicas de cuidado com o corpo da mulher no Caju-Una são marcadas por uma ancestralidade afroindigena reafirmada através de um diálogo intergeracional entre avós, mães e filhas.

João Arnaldo Machado Gomes

Corpo feminino em evidência: o puerpério e suas implicações em notícias de periódicos belenenses (1890-1920)

Correspondente ao período pós-parto, tradicionalmente chamado “quarentena”, o puerpério foi motivo de preocupações entre finais do século XIX e início do século XX. Desse modo, a imprensa paraense trazia à tona compreensões de médicos com relação aos saberes e práticas das tradicionais parteiras, e a prevenção e ao tratamento dos males puerperais. Nesse sentido, o presente trabalho visa mostrar de que maneira esse debate era exposto na imprensa periódica belenense por meio da veiculação de notas obituárias em que se observava um considerável número de mortes de mulheres em fase puerperal; de propagandas de medicamentos que prometiam sanar os problemas ocorridos durante o período; ocorrências policiais em que se noticiava imperícias de parteiras locais na assistência ao parto; e anúncios da chegada à cidade de parteiras estrangeiras.  

Kirla Korina dos Santos, Anderson Bruna Conceição de Souza Barata

#Naomerotule: Juventude, Identidade E Diferença Em Belém/Pa

O objetivo principal deste trabalho consiste em compreender antropologicamente significados dos marcadores sociais da diferença, em especial gênero e sexualidade, na trajetória de vida de 22 jovens estudantes do ensino médio, de 17 e 18 anos, em Belém/PA. Para isso, buscamos entender como falam das próprias identidades, em como elas são atravessadas por tais marcadores e como a família a escola aparecem nesse contexto. Os jovens foram ouvidos em dois momentos principais: 1) na realização da atividade Linha da Vida, em que escreveram os acontecimentos e pessoas mais importantes (de maneira positiva e/ou negativa) na formação de suas identidade; 2) na apresentação para a turma dos resultados da referida atividade. Identidade de gênero, orientação sexual, bullying, cobranças da família e da escola são alguns dos temas que aparecem nas trajetórias, quase sempre acompanhados de conflitos.

Maria Mary Ferreira

PROTOGONISMOS POLITICO DE MULHERES E FORMAÇÃO POLITICA: caminhos para superar a sub-representação

A sub-representação das mulheres na política é fruto da cultura patriarcal que perpassa o mundo público e o mundo privado, que ao determinar papéis sexuais para mulheres e para os homens, excluiu as mulheres dos espaços de poder. A necessidade de estudar estratégias de intervenções que possam transformar as relações de gênero na política se constitui como filosofia da Pesquisa Mulheres Relações de Gênero e Protagonismo Político: estudo, formação feminista e informação como estratégica de mudança na sociedade patriarcal. Este projeto de pesquisa teve como desdobramento a Capacitação de Mulheres na Política visando contribuir com o processo de empoderamento de mulheres por meio de informações, troca de conhecimentos e produção de dados que pudesse permitir as mulheres dos Municípios maranhenses criar mecanismos de fortalecer seus protagonismos. Nesta comunicação apresentamos a experiência desenvolvida nos cursos de formação que foi parte da pesquisa foi financiada pela FAPEMA, envolvendo um público de 618 mulheres em sete municípios maranhenses, com aulas teóricas dialogadas apoiadas por material pedagógico construído pelas integrantes da pesquisa a partir dos dados colhidos na investigação.

KAHWAGE, Nathália Lima, CAL, Danila Gentil Rodriguez

Representação Política, Gênero E Estereótipos: Análise de aspectos discursivos da atuação das vereadoras de Belém e de Manaus no Facebook

A sub-representação feminina na política formal é um dos reflexos das desigualdades de gênero que marginaliza a presença feminina (MIGUEL; BIROLI, 2011, 2013, 2014, 2015; BIROLI, 2018). Considera-se o conceito ampliado de representação política, com a adesão de outras formas de fazer política (MANSBRIDGE, 2003; GARCÊZ, 2017) discursivamente, inclusive em ambientes comunicacionais como as mídias digitais. Objetiva-se compreender como as vereadoras de Belém e de Manaus utilizam os estereótipos para ressignificar o exercício da atividade política por meio dos vídeos postados em seus perfis pessoais e fanpages no Facebook. O corpus é composto por 210 vídeos analisados, por meio de análise de conteúdo, entre 2015 e 2018. Conclui-se que o estereótipo central foi o de Mãe que se relacionou, principalmente, com temas da área social como Educação, Cidadania e Deficientes.

Danila Gentil Rodriguez Cal, Maria Luiza Lopes,Thaís Cavalcante Rezende

PEC das Domésticas no jornalismo paraense: tensões entre gênero e classe na ampliação dos direitos das trabalhadoras

Analisa-se como são construídas no jornalismo paraense as representações e os lugares de trabalhadoras domésticas, antes e após a promulgação da PEC das Domésticas (66/2012). A ampliação de direitos gerou tensões, já que o trabalho doméstico é marcado pela subalternidade e atravessado por questões de gênero, raça e classe (DAVIS, 2016; CAL, 2016; CARNEIRO; ROCHA, 2009). Consideramos que o jornalismo participa da construção social da realidade e é um ator fundamental no debate público (CARVALHO, 2009; MAIA, 2018). Por meio de análise de conteúdo, examinamos as matérias jornalísticas sobre a PEC veiculadas no Diário do Pará e O Liberal de 2010 (início da tramitação) a 2016 (regulamentação). Concluímos que os jornais se preocuparam mais em manter os patrões informados a respeito dos novos gastos oriundos da PEC do que em dialogar e produzir conteúdo que contemple a trabalhadora doméstica.

Gizelle Soares de Freitas

Mulheres e Direito à Cidade

A questão de gênero deve fazer parte da elaboração de toda política pública, porque sim, as mulheres tem especificidades, segundo a PNAD do início deste ano, 28 milhões de famílias são chefiadas por mulheres. É necessário que o poder político, econômico, o poder público, reconheça a necessária e intrínseca relação entre as mulheres, seu papel social e as cidades, O território urbano é visivelmente construído sob o olhar masculino, percebe-se nas estruturas físicas, nos terrenos vazios que para as mulheres representa um risco de sofrer violência, na quase inexistência de creches públicas, nas ruas mal iluminadas, nos transportes públicos pouco seguros às mulheres, vide o alto índice de assédio sexual e até estupro. As cidades são construídas no seu cotidiano por diversos segmentos como: as mulheres, negros e negras, lgbtqis, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência, e etc.

Sandra Regina Alves Teixeira

A Luta Poltíca De Iza Cunha Na Construção Da Cidadania e Garantia Dos Direitos Humanos No Estado Do Pará.

Analisa a atuação política de Iza Cunha, em organizações populares, movimentos sociais e de mulheres, na década de 60, 70 e 80, na luta por cidadania, garantias de direitos sociais e implementação de políticas públicas. Importante liderança feminista é umas das principais referências dos Direitos Humanos na Amazônia. A metodologia utilizada foi na abordagem qualitativa examinando blogs e sites; periódicos, como o “Resistência” (15 matérias- 1979 a 2013), o qual Iza Cunha era colaboradora, documentos da FASE, SPDH, 15 questionários dos 40 aplicados aos que conviveram cotidianamente ou indiretamente com Iza Cunha, além de 03 entrevistas (2 na SDDH) e fotografias em uma análise descritiva das fontes na História Social das Mulheres. O resultado foi o artigo de conclusão da Especialização em Planejamento e Gestão de Políticas Públicas para as Mulheres na Amazônia (ESMAC) com o conceito 10,0.

Jacqueline Tatiane da Silva Guimarães,Ianca do Socorro Medeiros Pereira

Mulheres negras marajoaras: entre reconhecimento da identidade racial e do racismo

Abordamos sobre identidade racial, racismo e os seus impactos na vida de mulheres negras do município de Breves (Marajó/PA). Temos os seguintes objetivos: i) Analisar as percepções das mulheres negras sobre a sua cor e raça e ii) identificar nas vivências das mulheres negras os casos de racismo no Marajó. A pesquisa é exploratória, desenvolvida a partir de levantamento bibliográfico, documental e de campo, em que recorremos à entrevista semiestruturada, realizada com 21 mulheres que residem na área urbana do município em tela. Das 22 entrevistadas, 18 são mulheres negras e 4 são brancas. As mulheres que se autodeclaram pardas não se percebem enquanto mulheres negras e nem identificam as situações de racismo ao longo de suas vidas. Em contrapartida, as que se autodeclaram pretas, ao assumirem uma identidade negra, relataram diferentes situações em que foram atingidas pelo racismo.

Francisca Érica dos Santos Souza

A Resistência de Bromélias e vitórias régias: narrativas femininas frente à mineração

O artigo tem o objetivo de descrever e analisar as narrativas de resistência e de organização das mulheres face ao extrativismo mineral, das comunidades de São João do Burajuba e Sítio São João, cidade de Barcarena, nordeste do estado do Pará. Por conseguinte, “apresentar” via as narrativas as transformações sociais decorrentes da atividade mineradora na vida dessas mulheres e as formas de organização por elas vivenciadas como forma de resistência à mineração. Procurou-se com o presente trabalho, apresentar relatos da realidade das lideranças femininas, pontos referentes, seus caminhos de organização e protagonismo político, questões em relação aos efeitos provocados pela mineração no ambiente familiar e nas suas comunidades. . Nesse sentido, utilizou-se, do processo de construção de relato de vida (narrativas) e da observação participante.

Ana Maria Smith Santos

Cidadania alcançada pela torneira ou pelo poço? relatos de mulheres marajoaras e suas dificuldades para acessar a água em Breves-PA

Este ensaio objetiva refletir sobre as dificuldades das mulheres marajoaras residentes no núcleo urbano de Breves-PA de acessar a água compreendendo tal problema como parte do não alcance de uma cidadania plena. É resultante do estudo realizado na tese de doutorado em Antropologia Social de uma das autoras e do projeto de pesquisa PIBIC – Prodoutor. As metodologias aplicadas foram a Etnografia e a História Oral, respectivamente, realizadas junto às idosas participantes dos Centro de Referência e Assistência Social municipais nos anos de 2014 a 2018 e em 2019. O debate interpreta que o acesso à água é um direito humano e que as mulheres de periferia são as que mais sofrem com a água de péssima qualidade em suas residências. Foi possível identificar, nas pesquisas, as estratégias diárias para adquirir água e realizar suas tarefas, constituindo-se numa problemática constante em suas vidas.

Rodolfo Cunha Barbosa, Ana Maria Smith Santos,Pâmela Beatriz Ferreira Pelegrini

Colonialidade do saber, poder e ser: um ensaio sobre a idosa marajoara, a cidadania, os silenciamentos e suas memórias

A Modernidade/Colonialidade, fenômeno no qual sobrevivem aspectos subjetivos do extinto Colonialismo no “Sul” mundial, silencia e subalterniza grupos alheios à sua dinâmica. O texto objetiva abordar a Colonialidade e seus rebatimentos no reconhecimento e garantia da cidadania de mulheres idosas marajoaras do município de Breves (Marajó, Pará), com base em narrativas, saberes e memórias na relação com políticas públicas. Informações extraídas da tese de doutorado de uma das autoras e de relatos colhidos em entrevistas semiestruturadas durante a realização de projetos de extensão destinados a idosas participantes da política de assistência social municipal. Evidenciou-se, com a pesquisa, a (re)construção de trajetórias de (re)existências, “bordas e agências” (SMITH-SANTOS, 2019) convergindo a debates decoloniais sobre o lugar social de indivíduos periféricos subjugados pela Modernidade.

Vitória Araújo de Aguiar, Rafael Ivan Chambouleyron

Mulheres na amazônia colonial (XVIII) – entre o silêncio e a exclusão

A partir da perspectiva de gênero, o trabalho visa analisar as mulheres na Amazônia da segunda metade do século XVIII. Serão utilizados os estudos acerca das relações de gênero, e a reflexão sobre a história das mulheres no Brasil colônia. Incidirá na documentação impressa produzida nesse período, tendo como fontes principais o Diário das Visitas pastorais de frei João de São José Queiroz (1762) e as denúncias feitas ao Santo Ofício na sua terceira visitação ao Brasil (1763-1769), publicadas por J.R. Amaral Lapa (1978). O objetivo é apreender o lugar das mulheres nessa sociedade colonial, a partir dos fragmentos sobre elas coletados nessas fontes e difundidas por homens, no contexto de uma sociedade e documentação que as invisibiliza. Trata-se de recuperar presenças e experiências silenciosas e indiretas delas nas fontes, dado o urgente momento para olhar o lugar da mulher na História.

Adriene Neves de Almeida, David Júnior de Souza Silva

Leis para promoção da cidadania feminina no AMAPÁ (1992-2016)

Este trabalho apresenta uma análise sobre a atuação da Assembleia Legislativa do Amapá (ALAP) na promulgação de leis sobre a cidadania feminina e identifica os tipos de direitos que estão sendo garantidos para as mulheres, tendo como referência as demandas dos movimentos sociais de mulheres no Amapá. A metodologia baseia-se na hermenêutica como método e a análise de documento como técnica de pesquisa. A partir da análise foram criadas quatro categorias de leis que evidenciam os direitos que estão sendo garantidos: leis que instituem datas comemorativas de caráter educativo; leis de reconhecimento público; leis de seguridade; e leis de ação afirmativa. A efetivação plena da cidadania através das garantias jurídicas não é eficiente em virtude de uma lacuna no processo de acompanhamento do legislativo para com o executivo e da sociedade para o legislativo.

Jeferson Santos Araújo, Myllena Ferreira Peixoto,Silvio Eder Dias da Silva

Sou mulher, tenho uma política de saúde, mesmo assim ainda sou vulnerável!

Introdução: As vulnerabilidades femininas e suas relações politicas influenciam as práticas de saúde. Objetivo: Compreender os saberes que mulheres Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais (LGBT+) e profissionais de saúde compartilham sobre a Política Nacional de Saúde Integral LGBT, e analisar as possíveis implicações e vulnerabilidades proporcionadas por esses saberes para a promoção da saúde. Metodologia: Pesquisa interpretativa, operacionalizada pela hermenêutica-dialética no qual participaram cinco mulheres e cinco profissionais de saúde.Resultados: Os profissionais reconhecem as mulheres como vulneráveis devido suas identidades de gênero e orientações sexuais. As mulheres identificam os serviços de saúde como excludentes e não individualizados. Para ambos os grupos a política representa uma conquista de direitos, mas sua implementação apresenta entraves.

Cibele Baldez de Araújo, Jacirene Vasconcelos de Albuquerque, Creusa Barbosa dos Santos

Pedagogia Social: Fazeres e Saberes de Mulheres em situação de Prostituição

A dissertação Pedagogia Social: Fazeres e Saberes de Mulheres em Situação de Prostituição (GEMPAC). Seu Objetivo Geral analisa estudos realizados sobre o GEMPAC, que contenham narrativas sobre as mulheres em situação de prostituição; Seus objetivos são: Explicitar a relação entre a formação do pedagogo e as práticas sociais sobre os quais desenvolverá o trabalho pedagógico; Compreender o papel da Pedagogia Social na prática social; Elaborar proposta metodológica que auxiliem o pedagogo no trabalho com mulheres em situação de prostituição. A metodologia possui caráter Qualitativo; Fenomenológico; Etnográfica; Narrativa; Bibliográfica e Documental. Nos resultados foi observado a importância Pedagógica que espaços de ambientes não tradicionais possuem, em como os movimentos sociais são significativos para estudos e influencia na sociedade, e em como o educador se tem nesses espaços.

Antonia Lenilma Meneses de Andrade, Luiz Augusto Pinheiro Leal

“Outras lutas além do fogão”: o movimento de mulheres negras da região Guajarina-PA, na década de 1990.

 O espaço de atuação feminina foi, por muito tempo limitado ao espaço doméstico em oposição ao espaço público. O lar, a família e, em resumo, “o fogão” consistiam no único horizonte de ação para as mulheres. Contrariando essa perspectiva, especialmente pela iniciativa de mulheres oriundas do meio rural, nasceu o Movimento de Mulheres da Guajarina, na região Nordeste do Pará, nos anos de 1990. Portanto, o objetivo deste artigo é descrever e analisar a história de formação do Movimento de Mulheres da Guajarina, demonstrando como o mesmo se tornou um marco na organização de Lideranças femininas na região nordeste paraense. Como metodologia para o desenvolvimento da pesquisa, utilizamos a História Oral (Thompson, 2002). A pesquisa aponta o processo de ampliação da participação das mulheres em espaço de poder, como associações, partidos políticos, coordenação comunitária e liderança local.

Déborah Araújo, Natália Lima Maia, Angela May Steward

Existe Gestão Social Na Marcha Das Vadias?

O artigo tem como objetivo principal analisar a incidência da gestão social nas ações protagonizadas por mulheres inseridas na Marcha das Vadias, partindo do pressuposto de que a gestão social valoriza a participação da sociedade nas tomadas de decisões sociais e políticas. Este trabalho é de cunho qualitativo e consiste na revisão bibliográfica de artigos já publicados sobre teoria da gestão social, pelos movimentos sociais e feministas e da Marcha das Vadias. Os principais resultados são: i) a gestão social não incide na Marcha das Vadias, e ii) a gestão social busca o empoderamento no sentido de resgatar o interesse político da sociedade. Consideramos que o tema é importante para os debates acadêmicos através de uma visão interdisciplinar, principalmente porque a participação política das mulheres está presente em todas as áreas do conhecimento.

Benedito Ubiratan de Sousa, Pinheiro Júnior

Os gritos do cárcere: relatos sobre as oprimidas na ditadura Argentina

O presente texto tem como objetivo discutir sobre o feminino nas relações de poder no interior dos movimentos revolucionários e do cárcere na ditadura argentina, fazendo uma construção das diferenças existente entre os gêneros em situação de tortura. A carga conceitual que leva a palavra “mulher” neste âmbito as faz ter tratamento diferenciados e, por conseguinte uma construção narrativa distinta das construídas por varões, discurso que se faz questionador desde o interior da militância onde várias mulheres reclamavam do tratamento que recebiam por parte dos companheiros de luta. A pesquisa consiste na reunião das narrativas e na composição dos perfis das torturadas e torturadoras a partir das literaturas existentes e os relatos testemunhais das mesmas, sob as teorias de Le Goff (1990), Judith Butler (2003), Joan Scott (1998), Bourdieu (2003), Didi- Hubermann (1998) entre outros.

Marhina Lima Farias, Paula de Carvalho Bastone

Feminismo, conflito e paz: observações sobre a participação das mulheres no acordo de paz colombiano

No mais recente e importante acordo de paz entre o governo Colombiano e a guerrilha das FARC houve um ponto de inflexão, as mulheres, antes excluídas desses processos, participaram tanto das negociações como também foram incluídas nos seis pontos do acordo firmado em 2016. Para compreender sua participação nesse processo é essencial conhecer a função desempenhada pelas articulações de mulheres. Para isso, será analisado um dos repertórios de ação coletiva mais importantes nesse processo, a Cumbre Nacional de Mujeres y Paz. O trabalho será conduzido por meio de técnicas qualitativas e buscará interpretar como as ações da Cumbre contribuem para os estudos sobre feminismos e paz. Os resultados obtidos até o momento mostram como essa articulação ajuda a estabelecer as mulheres como agentes políticas e como colaboram na quebra de estereótipos de apenas vítimas do conflito.

Lucas Oliveira de Souza, Ana Lídia Nauar Pantoja, Lucivaldo Alves

“Driblando a natureza”: práticas e percepções de jovens (mulheres) em torno da contracepção e do aborto em uma escola da rede pública de Belém do Pará

INTRODUÇÃO: No Brasil, a prática do aborto é frequentemente condenada pela sociedade, mediante a interpretação do senso comum, tal como a “gravidez indesejada”, sendo questionada. A partir disso, houve um aumento da produção cientifica em torno do aborto, subsidiando a necessidade do fortalecimento das políticas públicas em saúde reprodutiva. OBJETIVOS: Interpretar as maneiras como são construídas as práticas em torno da contracepção e do aborto de jovens mulheres de uma escola pública. METODOLOGIA: Buscou-se o método da etnografia, mediante a observação participante, a fim de analisar os fenômenos que se familiarizar ao ambiente. RESULTADOS: 36 estudantes participaram da pesquisa, sendo 14 mulheres e 22 homens responderam ao questionário semiestruturado no qual constatou-se o fator religioso como predominante nas respostas a respeito do aborto.

Jhenifer Denise Souza da Silva, Franciane Gama Lacerda

“O suplício de mundanas”: uma carta à primeira dama de Belém

No ano de 1970, período de intensa repressão direcionada a mulheres prostitutas, a zona da Campina, em Belém (PA), foi interditada, sob a ordem do então governador, Alacid Nunes. A consequência disso foi o fechamento de diversas casas e o deslocamento de muitas mulheres para regiões periféricas da cidade. Este trabalho se atém a esta zona de meretrício analisando a luta dessas mulheres por um espaço de moradia e trabalho, a partir de uma carta publicada no jornal paraense Folha do Norte, escrita por prostitutas à esposa do então governador, em que percebe-se uma audaciosa estratégia por parte destas mulheres, suplicando favor e piedade a outra mulher pra que a situação mudasse.

Aline Fernanda Pereira da Silva, Maria Bernadete Reis Maia

Desigualdade e representatividade feminina: uma análise sobre as repressões e representatividades femininas no jogo Free Fire

Assim como ocorre discriminação de mulheres na vida real, o meio virtual pode ser marcado também por essas características, e quando o assunto é sobre jogos, grande parte da sociedade ainda ver o mundo gamer voltado para o público masculino. O presente trabalho tem como fim demonstrar a representatividade feminina no jogo “Free Fire”, bem como tratar de represálias que o público feminino sofre nos jogos digitais. Para isso, foi utilizada a abordagem qualitativa, com entrevistas semidirigidas realizadas de forma presencial e virtual, sendo assim, não há como delimitar um espaço geográfico para a pesquisa, tendo em vista o ciberespaço, com isso se teve a presença de diversas posições, e uma delas foi o orgulho de mulheres estarem em um meio considerado masculino e terem um bom desempenho, mas que também afirma uma discriminação e violentação existente.

Sara Vasconcelos Ferreira

Meninas e Mulheres, Escrevei!”: o espaço feminino na Província do Pará

A presença de escritoras no jornal A Província do Pará entre 1876 e 1900 fomentou a circulação e recepção de obras de punho feminino. Com as leituras do jornal de A. Lemos, contatamos que o diário abriu espaço para que tradutoras, poetas, contistas e jornalistas brasileiras e estrangeiras tivessem suas produções propaladas ao público. Assim, o objetivo deste trabalho é apresentar um panorama da circulação e recepção de produções literárias de mulheres do século XIX no jornal A Província do Pará, desde a publicação de prosa de ficção de escritoras locais, como Marguerite Muriel, Augusta de Assis e Maria Simões, e nacionais, como Júlia Lopes de Almeida, Josefina de Azevedo e Ana Batista Nogueira, até mesmo a publicação de textos críticos sobre os trabalhos de escritoras. A recuperação desses dados constitui um novo olhar para a sociedade paraense oitocentista, em especial às literatas.

Joyce Cristina Farias de Amorim

Uma Releitura da Narrativa de Inglês de Souza sob a Perspectiva do Feminino

O presente artigo se propôs a realizar uma análise, à luz da concepção de gênero, do conto Acauã, do livro Contos Amazônicos (1893), do escritor Inglês de Souza. O intuito foi observar como se dá e/ou se constrói a representação do feminino numa obra literária de relevância do século XIX. A análise ainda se baseia na observação do (não) dito sobre as personagens femininas, sob o olhar do contemporâneo e da ideia sobre dominação masculina que, segundo Bordieu, está de tal maneira ancorada no inconsciente das pessoas. O presente estudo se construiu e se constituiu com base em pressupostos teóricos, como Bordieu (2012), Hall (2006), Bauman (2005), Butler (2003), Borrillo (2010), Spivak (2010) e Beauvoir (1970), que pudessem contribuir com o diálogo entre o tempo do conto e a atualidade, sob a perspectiva histórica e de identidade do gênero feminino.

Dione Colares de Souza, Marli Tereza Furtado

Mulheres compositoras em Belém, da Belle Époque até a primeira metade do século XX

O presente trabalho foi elaborado a partir dos dados de pesquisa doutoral em andamento que investiga a canção de autoria feminina no período que abrange a Belle Époque no Pará até a primeira metade do século XX. Pretende-se inventariar e compreender a produção musical de autoria feminina, a partir de uma perspectiva historiográfica, sociológica e de gênero, buscando desvelar os processos de inserção da mulher no âmbito das práticas culturais desse período. A pesquisa construiu-se a partir de fontes documentais primárias (partituras manuscritas, programas de concerto e jornais) e fontes orais. Os resultados preliminares apontam para a compreensão dessas produções de autoria feminina a partir das práticas de consumo de bens culturais, das relações sociais e estruturas institucionais da época.

Francelina Barreto de Abreu

Vozes negras e indígenas na literatura latino-americana contemporânea: uma questão de identidade

O presente artigo, se propõe a tecer um olhar sobre a construção da identidade feminina na atual conjuntura da literatura latino-americana. O trabalho faz um recorte na figura feminina representada pela mulher negra, em Victória Santa Cruz no poema Me gritaron Negra, e na indígena, por Eliane Potiguara no romance Metade cara, metade máscara (2019). A escolha destas obras se deu em função do caráter de enfrentamento ao preconceito e ao racismo como marca constante de resistência ao silenciamento associado ao contexto histórico e aos fatores sociais que contribuem para a visão de inferioridade e exclusão a que estiveram submetidas e o enfrentamento ao sofrimento que passaram essas mulheres reafirmando sua identidade. Como aporte teórico-metodológico para a pesquisa foram escolhidos os autores de Pollak (1992), Quijano (2005), Spivak (2010), Perrot (2007), que corroboram com este estudo.

Julie Castro de Sousa, Luzia Gomes Ferreira

De Belém ao baixo Rio Bujaru: as mulheres de fogo de Roberta Tavares

A escrita literária para muitas mulheres negras é um lugar de enunciação e da (re) construção de narrativas contra-hegemônicas. Nesse sentido, o Projeto de Extensão Xire da Leitura: Mulheres Negras Grafando Memórias em Letras de Poesia (PROEX/UFPA) compreende a literatura negra como um patrimônio afro-brasileiro, ainda que não seja oficializado pelos órgãos preservacionistas do Estado. Diante do exposto, nesta comunicação, pretendemos analisar numa perspectiva museológica o fanzine Mulheres de Fogo da poeta paraense Roberta Tavares. A referida autora em seu trabalho nos apresenta memórias históricas, corporais, sensoriais, sensuais e imagéticas. Conduz-nos de Belém ao Baixo Rio Bujaru pelos caminhos da vida e da morte, do fogo que se alimenta de poesia, flor e voo.

Jairo da Silva e Silva

Não somos Iracema: vozes indígenas femininas – dos estereótipos à resistência

Este trabalho constitui-se como resultados parciais do projeto de pesquisa Discurso e Redes de Memória Indígena na Região do Baixo Tocantins, desenvolvido no Instituto Federal do Pará (IFPA/Campus Abaetetuba), cujo principal objetivo é investigar as redes de memórias discursivas que significam a identidade indígena, sob a perspectiva teórico-metodológica da Análise do discurso francesa; as materialidades analisadas formam um arquivo disponível para elaboração de oficinas pedagógicas sobre variadas temáticas indígenas. Assim, durante esse percurso, enveredou-se pelas questões das vozes indígenas femininas, em específico, quando comparadas à representação da mulher na obra Iracema (ALENCAR, 1965). Desta forma, pretende-se apresentar a proposta didática Não somos Iracema, como possibilidade didática de expressão da voz feminina indígena, a partir da literatura em interface com outras áreas.

Alinnie Oliveira Andrade Santos

As Faces da Mulher Amazônica: a negritude em Dalcídio Jurandir

Dalcídio Jurandir é conhecido por ser o autor dos romances do Ciclo do extremo Norte. A história central do Ciclo é a de Alfredo. Filho de uma negra, D. Amélia, e de um branco, Major Alberto, o menino vive em constante conflito na busca de sua própria identidade, ora entristecendo-se pela cor da mãe, ora aceitando-a e sentindo orgulho dela. A convivência, em Belém, com a família materna, principalmente com as mulheres Mãe Ciana, Magá e Isaura, contribuiu para que Alfredo possa aceitar melhor sua mãe. Essas personagens negras vivem na capital com o esforço do próprio trabalho, como também auxiliam na fuga dos bandoleiros que planejavam revoltas pelo interior. Este trabalho objetiva observar a representação dessas mulheres negras analisando suas trajetórias, principalmente no que se refere à postura transgressora delas dianto do sistema social em que estavam inseridas.

Cristiane de Jesus Cordeiro Campelo, Jorge Haber Resque

A Representatividade Negra como Construção de Identidade: uma análise do conto Lumbiá, de Conceição Evaristo

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maioria da população brasileira se autodeclara negra, entretanto, não há presença maciça dessas pessoas ocupando as estruturas de poder. Na busca de respostas para tal inquietação, este trabalho se propôs a analisar a representatividade negra como construção de identidade a partir da leitura do conto Lumbiá, da escritora mineira Conceição Evaristo. Os procedimentos metodológicos foram pautados, primeiramente, na revisão bibliográfica de textos referentes à temática do negro, em seguida, foi feita uma análise do conto destacando a ausência e a presença de representatividade negra e seus impactos. Para tanto, como suporte teórico, tomou-se os estudos de Hall (1999; 2009; 2016), Munanga (2009), Souza (1983), Mbembe (2014), a Lei nº 10.639/2003, entre outros.

Mayara Cristiny Souza Martins Rodrigues

Identidades em Dona Amélia: uma análise da personagem em Chove nos campos de Cachoeira (1941)

Este presente artigo tem como objetivo discutir sobre as identidades de Dona Amélia na obra Chove nos campos de Cachoeira (1941) de Dalcídio Jurandir, pois durante esse romance há uma não legitimidade do lugar em que essa personagem ocupa, pelo fato de ser uma mulher negra e esposa do Major Alberto, um homem branco e funcionário público, a população de Vila de Cachoeira não há reconhece, a subestimam e a discriminam, porque a "pretinha de Muaná"tornou-se a Dona Amélia e isso incomodava. O trabalho se fundamentará nos estudos decoloniais de Lugones (2008) e Quijano (2005), esse último por sua vez trabalha a questão da colonialidade do saber, perspectiva fundamental para essa pesquisa, além disso serão estudadas autoras como Hooks (1995) e Bernd (2011) quando for discutido sobre as identidades. não brancas. Para tanto, será usada como metodologia uma leitura teórico-interpretativa.

Nathalia Karollin Cunha Peixoto de Souza

A mulher na Cinematografia de Horror: análise do filme Midsommar

Na cinematografia de horror, a imagem da mulher é constantemente trabalhada sem a devida profundida. A presença da mulher nesse gênero é apenas um mecanismo facilitador da catarse e do divertimento pela presença do susto, da perseguição e da morte. No entanto, o novo terror, vem subvertendo esse papel subalternizado da mulher. Midsommar, do diretor Ari Aster, traz como personagem principal uma mulher. O horror (psicológico) a que se vê submetida é uma alegoria de sua angústia. Um dos temas passíveis de problematização presentes no filme, e que deve, portanto, ser tomado por objetivo do trabalho, são as questões relativas ao que se denomina como dependência afetiva. A metodologia utilizada será a de revisão de importantes trabalhos anteriores. A hipótese principal da análise é que a dependência afetiva é nada mais do que uma perspectiva de patologização do comportamento feminino.

Amanda Passos do Carmo

Marias da Castanha (1987): produção audiovisual amazônida e feminina nos anos 80

Marias da castanha (1987), documentário de Edna Castro e Simone Raskin, aborda a vida de operárias de fábrica de castanha do Pará, em Belém. Essa produção é aqui considerada pioneira pois além de ser o primeiro filme realizado por mulheres no Pará, seu enfoque em perspectivas socioculturais é inovador ao retratar o cotidiano de operárias (até então era entendido como “condição” feminina) fora dos espaços fabris, em suas sociabilidades. Essa perspectiva sociológica relaciona-se com a historiografia do período, que traz à tona questões marginalizadas. O objetivo não é apenas uma análise fílmica, mas uma abordagem social, intercruzando as representações do documentário com fontes externas. Se discute o contexto do cinema nacional, cinema realizado por mulheres, aspectos técnicos do filme, assim como sua recepção e seu impacto, no que configura um marco para a produção audiovisual em Belém.

Ivanete Modesto do Amaral

Uma reflexão sociológica do desemprego entre as mulheres no Brasil

O interesse da sociologia pelos estudos do mercado de trabalho vem se intensificando nas últimas décadas onde o desemprego tem sido cada vez mais objeto de investigação científica, intervenção estatal e debates públicos. A desestabilização do trabalho assalariado estável é o centro nevrálgico da crise contemporânea do trabalho, na qual o desemprego é um dos principais sintomas. Este artigo procura analisar o desemprego, definido inicialmente como uma categoria social objetiva - que se materializa em dados estatísticos institucionais e oficiais – e, subjetiva - de percepção da realidade a partir da qual o desemprego não afeta os indivíduos de maneira homogênea no espaço econômico da experiência de trabalho, mas, estes, são diferentemente afetados quando se tratam, por exemplo, de homens e mulheres, pessoas mais ou menos escolarizadas ou qualificadas profissionalmente.

Micaela Brito Gomes, Jailson de Macedo Sousa, Hayllana Alves da Silva

As Relações Geografia, Gênero E Trabalho: uma abordagem a partir das expressões e significados do trabalho feminino rural no município de Imperatriz-MA

O presente artigo visa apresentar alguns resultados acerca das relações de trabalho no mundo contemporâneo, enfatizando nesse cenário, as relações de Geografia, Gênero e Trabalho. É a partir da década de 1970 que as pesquisas sobre gênero na ciência geográfica passam a serem abordadas, na qual as mulheres como atores sociais tem suas contribuições para organização do espaço geográfico. Com as novas abordagens de caráter interdisciplinar na geografia tem-se abordagens qualitativas alicerçadas em estudos simbólico-cultural. Neste estudo buscamos como inquietação central a necessidade de reconhecer o protagonismo das mulheres do assentamento rural Vila Conceição I trabalhadoras rurais. Do ponto de vista metodológicos fundamentado na Geografia humanista de caráter qualitativa e as técnicas de pesquisa a observação simples e entrevistas semiestruturadas.

Layse Rosa Miranda da Costa, Samanta Conceição da Silva Reis, Lourdes de Fátima Gonçalves Furtado

Modificações do papel das mulheres na pesca artesanal no município de Marapanim-Pa

Alguns estudos sobre populações Halieuticas no Nordeste Paraense mostram a importância das mulheres na pesca artesanal, pois são cruciais nas decisões familiares, sociais, na construção de saberes tradicionais, etc. Tais Estudos apontam que em comunidades pesqueiras desta localidade, a divisão do trabalho é por gênero: Os homens capturavam as espécies aquáticas e as mulheres os afazeres domésticos juntamente com o processo do trabalho da pesca, haja vista que a pesca não se resume ao ato de capturar. A partir de pesquisas de campo produzidas no Museu Paraense Emílio Goeldi para o Projeto RENAS IV no ano de 2018, esses modelos continuam, porém com algumas mudanças, dentre elas, a atuação mais intensa das mulheres na captura. Portanto, este trabalho pretende mostrar sobre as modificações que estão ocorrendo em relação ao papel das mulheres na pesca artesanal no município de Marapanim-Pa.

Larissa da Cruz Neves, Lana Cláudia Macedo da Silva

Mulheres no comando: uma análise acerca dos desafios e perspectivas de mulheres em cargo de gestão

 Desde a revolução industrial, a diferenciação entre trabalho produtivo/masculino e trabalho improdutivo/feminino forja a divisão sexual do trabalho. O objetivo é compreender a realidade de mulheres em cargos de gestão e descrever como se dá o processo de inserção e atuação. A pesquisa tem uma abordagem qualitativa descritiva, observação participante e história de vida. A empresa onde o estudo foi realizado, fica no município de Castanhal-Pa. Mesmo com o avanço da mulher no mercado de trabalho, ainda existe resistência masculina em ambientes profissionais diante dessa mudança. Com isso, as constantes discussões a respeito da temática são necessárias para reduzir a desigualdade de gênero no mercado de trabalho, bem como, nas demais esferas das relações de poder onde, historicamente, há uma relação de subserviência do gênero feminino em relação ao masculino.

Matheus Gabriel Lopes Botelho, Ruth Helena Cristo Almeida

Juventude rural no trabalho da agricultura familiar na comunidade do Espírito Santo do Itá, Santa Isabel – PA

A sucessão da agricultura familiar está associada à disposição, dos jovens filhos dos agricultores familiares, em suceder seus pais. Dessa forma, o presente estudo possui como objetivo identificar os fatores que levam os jovens da comunidade do Espírito Santo do Itá, a decidirem ou não pela sucessão geracional na agricultura familiar. O trabalho foi realizado na comunidade do Espírito Santo do Itá, que está localizada ao sul da cidade de Santa Isabel (PA). Tal estudo envolveu pesquisa de campo. Segundo as observações da pesquisa de campo realizadas, algumas atividades do processamento de subprodutos da mandioca nas casas de farinha da localidade, são realizadas por meio da divisão de trabalho por gênero, com a ativa participação de mulheres jovens. Dessa forma, percebe-se no decorrer da pesquisa, que o processo de masculinização do campo, não é uma realidade na localidade.

Thaís Mayara da Silva Carvalho, Regina Oliveira da Silva

Uso de recursos naturais com enfase em gênero no salgado paraense

Esta pesquisa se desenvolveu durante os estudos para a criação Unidade de Conservação de Uso Sustentável (UC) na região de Salinópolis. UC desta categoria tem como finalidade compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável dos recursos naturais. A divisão social do trabalho nessas localidades muitas vezes é organizada por lugares de gênero e tal fator implica em aspectos da economia e do mercado. Caracterizou-se o uso de recursos naturais com foco em estudo de gênero, por meio da pesquisa quali-quantitativa. Dados secundários foram analisados com posse dos documentos institucionais de campo. A divisão social do trabalho, para atividades de uso de recursos naturais em região de mangue são desenvolvidas por homens e mulheres, no entanto, as mulheres estão inseridas nas atividades de menor valor comercial, menor monetarização e menor valorização, enquanto trabalho.

Layane de Souza Santos, Franciane Gama Lacerda

“Costurando Sonhos e Modelando Oportunidades”: as mulheres do guamá e o projeto Costuraê

Este trabalho visa apresentar os resultados de uma pesquisa feita sobre o “Projeto Costuraê”. Buscou-se compreender os significados que o projeto tem para as mulheres que foram/são impactadas e ainda, para o desenvolvimento sustentável por meio do slow fashion na Amazônia. O Projeto atualmente localiza-se na “E.E.E.F.M Ruth Rosita”, e vem sendo desenvolvido há cerca de dois anos com mulheres do bairro Guamá da cidade de Belém/PA, que vivem em situação de vulnerabilidade sócio econômica. Está alinhado com as ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), da ONU (Organização das Nações Unidas). A metodologia utilizada no trabalho conta com entrevista com as mulheres e parceiros envolvidos no projeto, além de investigação das matérias da mídia relacionadas ao o projeto. Buscando mostrar os seus desdobramentos a partir das experiências dos sujeitos sociais envolvidos no mesmo.

Ana Patrícia Reis da Silva, Maria Cristina Maneschy

“Desenvolvimento e equidade de gênero? Experiência de um projeto de geração de renda para mulheres em Bragança-Pará

Analisa-se a experiência da Rede de Mulheres Caeteuaras, uma organização social e econômica na Vila do Treme, município de Bragança-Pará, nordeste paraense. O trabalho feminino no setor informal em países em desenvolvimento é alvo de programas de combate à pobreza. Em que medida tal via gera emancipação das mulheres e avanços locais na equidade de gênero? Se elas assumem desproporcionalmente os cuidados com as pessoas, como conciliam produção e reprodução? Por outro lado, o grupo é parte de uma Reserva Extrativista, com pressões específicas de conservação ambiental. A metodologia do estudo é qualitativa, com entrevistas semi-diretivas para captar a visão das envolvidas. Inclui observação participante sobre o processamento de caranguejos, uma base da economia local. Os relatos indicam ações de “patrões” visando desmobilizar o grupo apontando o fracasso na geração da renda.

Angela May Steward, Natalia Lima Maia, Déborah Araújo Silva

Entre a mata, a casa e a cidade: Mudanças nas economias domésticas e relações sociedade-ambiente em duas comunidades quilombolas, Mazagão, Amapá

Este artigo visa contribuir para a literatura sobre as mudanças nas economias domésticas dos povos e comunidades tradicionais na Amazônia e justifica-se por trazer luz à experiências diversas de mulheres no trabalho e meio ambiente a partir de uma perspectiva histórica. Através da análise de 8 entrevistas de história oral realizadas com mulheres entre 2011 e 2012 como parte de uma etnografia maior, traçamos as transformações nas economias domésticas em 2 comunidades quilombolas (Mazagão, AP). Os resultados demonstram que: os papéis das mulheres ampliaram com tempo, os espaços socioambientais que elas ocupam diversificaram, e que houve alterações nas relações sociedade-ambiente; especificamente, a mata e a roça não são tão centrais à rotina de trabalho. A pesquisa revelou ainda uma mudança na percepção das mulheres sobre sua condição socioeconômica, amplamente percebida como melhorada.

Dinalene Campelo do Rosário, Rafael Ivan Chambouleyron

Mulheres e a terra: Relações de gênero no Pará na segunda metade do século XVIII

 A pesquisa objetiva analisar as relações de gênero que perpassam os vínculos entre mulheres e a terra, no Pará da segunda metade do século XVIII. Para realizar a análise, fundamentada na perspectiva das relações de gênero, fizemos a leitura das Cartas de Sesmarias concedidas a mulheres e Ofícios de mulheres solicitando terras. A documentação permite destacar informações importantes como o estado civil da solicitante; se a solicitação é feita apenas pela mulher ou se ao seu nome é acrescido o nome de outra pessoa, geralmente irmãos ou maridos; para que atividade seria destinada a porção de terra; a justificativa para o requerimento; se o pedido era feito por uma mulher. Destacamos tais elementos, pois dessa forma é possível analisarmos as relações de gênero e os fatores que as permeiam como: economia, casamento e família, ocupação territorial e a relação mulher e terra.

Maria das Neves Maciel da Luz, David Junior de Souza Silva

As parteiras ribeirinhas do Amapá: a arte de partejar e o racismo epistêmico

 Esta pesquisa tematiza a relação entre a prática tradicional das parteiras e Estado nacional, concebido em suas ações pela atuação da rede pública de saúde no município de Macapá-AP. Problematiza-se o significado atribuído ao saber tradicional das parteiras com o processo de colonização que viveu o país, o racismo estrutural instituído, e diante de políticas públicas de incorporação de seus saberes tradicionais na estrutura burocrática do Estado. Conclui-se que esta inserção se deu de forma descaracterizadora. As parteiras, nos espaços de saúde oficiais, não têm autonomia para realizar seu trabalho, dado o racismo por parte dos funcionários destes órgãos e de sua lógica disciplinar e eurocêntrica. As políticas públicas de inclusão das parteiras nos espaços oficiais de promoção de saúde pública tendem a descaracterizar e subordinar seu conhecimento, atualizando o epistemicídio.

Carla Cilene Siqueira Moreira, Tânia Guimarães Ribeiro

Ajuda ou direito: implicações de uma política socioambiental sobre as relações de gênero

Analisa-se a implicação do Programa de Apoio à Conservação Ambiental Bolsa Verde (PBV) sobre as relações de gênero implementado no território da Reserva Extrativista São João da Ponta entre 2011 e 2017. Pois o PBV elenca as mulheres como principais responsáveis pela manutenção do lar e da família e por este motivo são as principais responsáveis pela implementação do programa. Este trabalho apresenta parte dos resultados de dissertação de mestrado defendida no PPGSA-UFPA que utilizou como metodologia o estudo de caso. No caso em questão, não evidenciou-se a posição do Estado na promoção da equidade de gênero. Com base nos que foi exposto analisa-se como a concepção de direito, do direito à renda, bem como dos direitos sociais e do meio ambiente, são percebidos pelos agentes sociais alvos da ação das políticas públicas. E se contribui para a diminuição da desigualdade socioambiental.

Cláudia de Fátima Ferreira Pessoa, Carla Cilene Siqueira Moreira, Tânia Guimarães Ribeiro

Implicações sobre desigualdade ambiental presente na cartilha “O dia em que a mata sumiu”

O objetivo do estudo é a cartilha do Programa de Apoio a Conservação Ambiental Bolsa Verde (PBV), intitulada O dia em que a Mata Sumiu, a partir de literatura sobre desigualdade ambiental e estudos pós-coloniais. Identificamos elementos que expressam visões hegemônicas ocidentais, que podem inferiorizar e invisibilizar outros povos. Este conceito aponta como riscos ambientais recaem predominantemente sobre grupos sociais vulneráveis, configurando uma distribuição desigual das consequências do desenvolvimento econômico. Ademais, compreendemos que esta dimensão da desigualdade afeta sobremaneira a cidadania destas populações, dentre quais as mulheres são as mais afetadas.

Gessyca Anne da Silva Baracho

Mulher e divisão sócio/sexual do trabalho no contexto da política de assistência social brasileira

A proposta deste artigo é evidenciar discussões que envolvem mulher e divisão sócio/sexual do trabalho na particularidade da política de assistência social brasileira, na intenção de compreender como a participação do sexo feminino se configura nesta política social. A partir do materialismo histórico dialético, com ênfase na abordagem do feminismo marxista, serão apresentados debates com autores que articulam classe social, gênero, raça/etnia e evidenciam os estudos feministas que incorporam e ampliam conhecimentos necessários no entendimento do movimento da realidade. Nos resultados aponta-se que apesar dos avanços na política de assistência social, o sentido de cuidado com a família ainda permanece centrado na representação social da mulher, a qual se apresenta associada na função da reprodução que perpassa por dupla presença: usuária e trabalhadora.

MARIA PATRICIA CORRÊA FERREIRA

Cultura e impactos socioambientais: a perspectiva das mulheres da comunidade tradicional de Curuperé (Barcarena/PA)

Este trabalho tem por objetivo analisar, sob o enfoque dos relatos das mulheres da comunidade de Curuperé, localizada no município de Barcarena/PA, as concepções sobre a cultura, os papéis sociais, os vínculos com a natureza e sobre os impactos socioambientais sofridos na região, causados pela atuação das empresas multinacionais mínero-metalúrgicas instaladas no município. Por meio de um estudo etnográfico, discute-se como elas percebem tais impactos nos aspectos culturais e econômicos relacionados à alimentação, ao trabalho, às crenças, à produção de artefatos, às formas de sociabilidade num contexto de desterritorialização que gerou grandes prejuízos, vivenciados cotidianamente, em todas as esferas de vida dos moradores da comunidade de Curuperé.

Regina Oliveira Da Silva, Cyntia Meirelles Martins, Ruth Helena Cristo Almeida

Etnoconhecimento e conservação da agrobiodiversidade pelas mulheres camponesas no Projeto de Assentamento Mártires de Abril/Pará

A relação entre o etnoconhecimento e a conservação da diversidade agrícola representa um desafio no entendimento da manutenção da segurança alimentar nas áreas rurais. Com o objetivo de investigar o conhecimento dos produtos da agrobiodiversidade e o papel da mulher nas relações sociais camponesas no PA Mártires de Abril em Belém-Pará, utilizaram-se métodos participativos e de Etnoecologia. Com questionários semiestruturados e levantamento da história local, entendeu-se a organização no espaço social vivenciado pelas mulheres e os sistemas produtivos. Foram entrevistados 59% assentados entre homens e mulheres. A riqueza total foi de 256 etnoespécies distribuídas em 63 famílias botânicas cultivadas e extraídas. A produção comercial é inexpressiva e a maior parte da produção está voltada à segurança alimentar. As redes de troca realizadas pelas mulheres respondem pela diversidade agrícola.

Natália Lima Maia, Déborah Araújo Silva, Angela May Steward

Ecofeminismo e Práticas Agroecológicas: perspectivas e caminhos para a promoção do bem-viver na Amazônia.

No contexto atual, é preciso repensar todas as formas de se relacionar com o meio, buscando transformações concentras para promover um bem-viver para todos, especialmente pelas realidades na região amazônica e de dominação patriarcal entre os gêneros. Nesse sentido, este artigo tem o objetivo de apresentar as correntes teóricas do ecofeminismo e da agroecologia a fim de analisar como estas contribuem para a construção de novos caminhos que promovam o bem-viver na Amazônia. A metodologia foi de base qualitativa e a análise de dados dada por meio de pesquisa bibliográfica. Nos resultados encontrados, percebeu-se que a incidência das práticas agroecológicas tem crescido, já o ecofeminismo tem sua expansão limitada por fatores de auto identificação. No entanto, pode concluir que ambas as correntes se aproximam e se tornam cada vez mais importantes por suas perspectivas transformadoras.

Fernanda Vale de Sousa, Ruth Helena Cristo Almeida

Percepção de Mulheres sobre Impactos Socioambientais na RESEX Marinha Cuinarana, Magalhães Barata-PA

As mulheres da Amazônia têm papel fundamental na história, socioeconomia e conservação dos ecossistemas da região. O objetivo desta pesquisa foi avaliar a percepção socioambiental das mulheres residentes na comunidade Fazendinha (Magalhães Barata-PA), sobre os impactos socioambientais na RESEX Marinha Cuinarana. Realizou-se um estudo de caráter quali-quantitativo, a partir de entrevistas formais e informais, com 27 mulheres da comunidade, e análises de relatórios concedidos pelo ICMBio e SEMMA. Os resultados demonstraram que apenas 33% das entrevistadas conhecem sobre a RESEX, e há pouca participação de mulheres nas tomadas de decisão sobre esta. O principal impacto socioambiental apontado foi o desaparecimento das ostras, causando prejuízos às marisqueiras e na socioeconomia local. Assim, tornou-se imprescindível uma organização feminina mais consolidada e integração de conhecimentos.

Jordânia da Conceição Silva, Jailson Macedo de Sousa

Geografia, Gênero E Injustiças Socioambientais: reflexões sobre a comunidade de Piquiá de Baixo em Açailândia-MA

O interesse pelo tema deste trabalho surgiu através de minha vivencia enquanto mulher, moradora de Piquiá de Baixo, educadora popular ao longo de 4 anos na comunidade e injustiças socioambientais presentes fortemente em Piquiá. O principal objetivo deste trabalho é refletir sobre forte protagonismo feminino na comunidade frente as injustiças socioambientais. Para desenvolver esse trabalho, além do referencial teórico, foram realizadas entrevista semiestruturadas com o grupo de mulheres da comunidade de Piquiá de Baixo. Pelos estudos desenvolvidos, notou-se que a organização do trabalho feminino na comunidade de Piquiá de Baixo além de ser um ato político na conquista de espaços na sociedade é um dos caminhos a serem percorrido na autonomia dessas mulheres.

Letícia Costa de Carvalho, Jacqueline Tatiane da Silva Guimarães, Nilza de Sousa Medeiros

Relações De Gênero E Território: considerações sobre as violações de direitos humanos de meninas ribeirinhas do Arquipélago do Marajó

 Tratamos sobre o quadro de violações de direitos humanos vivido por meninas ribeirinhas que vivem nos rios do Marajó. Objetivos: i) Debater sobre a exploração sexual e trabalho infantil a partir dos conceitos de interseccionalidade e território e ii) Realizar levantamento de registros sobre as principais violações sofridas por meninas ribeirinhas no Marajó. Realizamos pesquisa bibliográfica e documental, tendo como corpus matérias disponibilizadas em sites e jornais eletrônicos. Se torna necessário processos analíticos que tomem a problemática das violações de direitos humanos da infância no Marajó numa perspectiva de totalidade, visto que é resultado da pobreza, aliada às relações de gênero que foram historicamente impostas às mulheres marajoaras, que elaboram estratégias de resistência diante um território que concentra diferentes desafios para a efetivação de políticas públicas.

Adriana Clícia Ferreira Ramos, Jessica da Silva de Sousa, Maria Goreth dos Santos Soeiro

Mulheres Em Situação De Rua: o perfil das mulheres acolhidas no Abrigo João de Deus - Belém – PA

 Este artigo objetivou caracterizar o perfil das mulheres em situação de rua acolhidas no Abrigo João de Deus. Realizou-se análise documental em 08 prontuários referentes ao período de janeiro a agosto de 2019. O estudo teve abordagem quantitativa, a partir das seguintes variáveis: faixa etária; escolaridade; uso de álcool e outras drogas, motivos que levaram a situação de rua, tempo de institucionalização e vinculo familiar. A análise dos dados apontou que 63% das mulheres acolhidas são idosas, 62% não são alfabetizadas, 62% faziam uso de álcool e outras drogas, o conflito familiar com 50% dos motivos que levaram a situação de rua, 50% estão a mais de cinco anos institucionalizadas e 63% não possui vínculo familiar. Verificou-se que os conflitos familiares aparecem com o principal motivo das mulheres terem vivenciado situação de rua, seguido de algum tipo transtorno mental.

Alethea Maria Car, Edson Marcos Leal Soares Ramos, Silvia dos Santos de Almeida

Caracterização dos delitos contra a mulher, no âmbito doméstico e familiar em Belém-Pará

 Na década de 80 a violência contra a mulher passou a ser questionada e desde então pequenos avanços no que diz respeito a igualdade de gênero vem se fixando na sociedade brasileira. Este trabalho objetiva apresentar a caracterização da violência contra a mulher em Belém. Abordagem metodológica quantitativa, utilizando-se da técnica estatística de análise descritiva, com dados fornecidos pela Secretaria de Inteligência e Análise Criminal, dos registros policiais da Divisão Especializada em Atendimento à Mulher (2016-2018). Os resultados indicam que a maior parte das vítimas possui de 35 a 64 anos, e que os delitos ocorrem no período noturno, aos finais de semana, no interior das casas, motivados por ódio/vingança. O quantitativo de mulheres agredidas ainda é alarmante, sendo portanto, necessário o estudo do fenômeno, para fomentar o desenvolvimento de ações preventivas e repressivas.

Lúcia Souza dos Santos, Raynice Souza dos Santos

Pornografia envolvendo meninas de 0 a 19 anos: Uma Análise das fichas de notificação do SINAN-Net em Belém/Pa.

 Esta pesquisa descreve a violência sexual contra crianças e adolescentes do sexo feminino, com destaque para a pornografia infantil, a partir da análise das fichas de notificações realizadas no âmbito da política de saúde, ou seja, com base nos dados secundários coletados no Sistema de Notificação de Agravos de Notificação (SINAN-Net), do município de Belém-PA. Com o objetivo de analisar as características da violência sexual por via da pornografia contra meninas de 0 a 19 anos de idade no município de Belém-PA foi desenvolvido um estudo quanti-qualitativo de caráter descritivo-exploratório. Para tal foram consideradas as fichas inseridas no sistema no período de 2009 a 2016 e disponibilizadas pelo departamento de vigilância em saúde do município. Fora consideradas as seguintes variáveis: local de ocorrência da violência, vinculo com o agressor, faixa etária das meninas.

Ariana Kelly Leandra Silva da Silva, Roseane Bittencourt Tavares Oliveira, Lígia Amaral Filgueiras

Doença Falciforme, Ancestralidade e Aconselhamento Genético: Relações de Gênero e Direitos Reprodutivos no Estado do Pará, Amazônia

 A Doença Falciforme (DF) é a síndrome genética mais prevalente do mundo. No Brasil, 3.500 crianças nascem por ano com Anemia Falciforme (AF), a forma sintomática da doença, e 200 mil nascem com o Traço Falciforme (TF), assintomáticos. No Pará, 1% da população possui AF e 4,4%, o TF. Avaliamos sintomas clínicos, ancestralidade e autodeclaração de raça/cor. No Hemocentro regional do Pará investigamos 60 pessoas com AF, com formulário semiestruturado, a fim de compreender manifestações clínicas, relações sociorraciais, gênero, renda, direitos reprodutivos, aconselhamento genético e identidade. É incipiente o aconselhamento genético no Pará e inexiste um setor específico no Hemocentro. As pessoas relatam "evitar filhos porque podem nascer doentes". 90% do grupo se autodeclara negro, mas 41% tem aDNA europeu. As mulheres tem sintomas mais severos e convivem com renda 50% menor que os homens.

Jayne Yasmim Furtado de Oliveira, Ana Maria Smith Santos

A Negação Do Labor Doméstico Feminino De Idosas No Município De Breves/Marajó (PA)

 O trabalho doméstico historicamente é imposto ao sexo feminino como função social. Haja vista ser uma atividade advinda da escravidão perpassou gerações e é altamente carregado de desprestigio social. O objetivo deste artigo é dar visibilidade as cicatrizes físicas e psicológicas resultantes do labor doméstico não remunerado, armazenadas nas memórias das mulheres idosas que residem no município de Breves/Marajó (PA). Para isso, foi realizada pesquisa bibliográfica, documental e de campo. Desse modo, concluímos que os afazeres domésticos advindos de construtos sociais em relação ao sexo feminino foram empecilhos ao acesso à educação,ao mercado de trabalho formal e a ter contato com uma sociabilidade diferente da patriarcal absorvida em determinadas instituições coercitivas como a família.

Bárbara Furtado Pinheiro, Rosângela do Socorro Nogueira de Sousa

Identificação relacional e interdiscursividade em matérias jornalísticas sobre violência doméstica no Diário Online

Esta pesquisa apresenta como base teórico-metodológica a Análise do Discurso Crítica (ADC) e objetiva compreender como a mídia retrata, por meio do discurso, a violência sofrida por mulheres, analisando textos jornalísticos sobre violência doméstica no Estado do Pará. Os/as autores/as que norteiam a pesquisa são Pinto (2010), Kaufman (1999), Marques e Guerra (2017), Ramalho e Resende (2011), Fairclough (2001 e 2003), e Resende (2009). A metodologia centra-se na pesquisa documental e descritiva e o corpus foi constituído por 4 matérias publicadas no jornal paraense "Diário Online". Serão discutidas, com base nas notícias jornalísticas, as seguintes categorias de análise: identificação relacional e interdiscursividade. Como resultados preliminares, observa-se que a vítima é culpabilizada e, na maioria das vezes, é dada voz ao agressor.

Mariana Ferreira Bezerra, Carla Figueiredo Marinho Saldanha

O Empoderamento Feminino No Processo de Rompimento Do Ciclo De Violência Doméstica

 O presente artigo é resultado do recorte estabelecido na pesquisa que vem sendo realizada junto a uma rede de mulheres vítimas de violência doméstica, no município de Igarapé-Açu, localizado no Região Nordeste, do estado do Pará. O mesmo visa compreender como mulheres que se encontravam em relacionamentos violentos conseguiram se ‘desvencilhar’ de seus agressores, tendo o empoderamento feminino como ponto de partida. Para isso, além da leitura realizada que direcionou nosso olhar, foi realizado o mapeamento das interlocutoras, que nos narraram suas histórias de vida, expandindo assim as possibilidades de análise. Analisar a partir dessa perspectiva fez-nos entender a importância do empoderamento, enquanto realocação do poder que visa a igualdade entre os gêneros, que vem causando transformações significativas e reais na vida das mulheres vítimas de violência.

Poliana Camilo Moreira, Rosângela do Socorro Nogueira Sousa

A Análise Do Discurso Sobre As Manifestações e Contramanifestações Do Programa “Abrace O Marajó” no Contexto Da Violência Sexual Feminina.

 Utilizar a análise do discurso como crítica social, observar ambos lados e, nesse caso, verificar e investigar se é real ou não o que a ministra diz. A questão é: Como que ficam as moças que são abusadas? Os casos de violência contra elas diminuíram? O programa está de fato funcionando? São indagações como essas que a ementa tem a destrinchar.

ELIENE RODRIGUES PUTIRA SACUENA, MARIA EUNICE FIGUEIREDO GUEDES

Indígenas Mulheres: Etnocídio na Assistência de Saúde

 NA POLÍTICA DE SAÚDE A POPULAÇÃO INDÍGENA NA PARTE QUE SE REFERE A MULHER,PODEMOS ENCONTRAR DIRETRIZES IMPLEMENTADAS PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE, VOLTADAS PARA ASSISTÊNCIA A SAÚDE DA INDÍGENA MULHER. NO ENTANTO,AINDA É PRECÁRIA ESSA IMPLEMENTAÇÃO COM AÇÕES POUCO EFETIVAS NA ASSISTÊNCIA PRE-NATAL, PREVENÇÃO DE CÂNCER COLO DE ÚTERO, IST/ HIV/AIDS ENTRE OUTRAS AFECÇÕES. O OBJETIVO DESSE TRABALHO É ENFATIZAR AS ESPECIFICIDADES DA RELAÇÃO SAÚDE - DOENÇA COM AS INDÍGENAS E O RELATO DO ETNOCÍDIO NO ATENDIMENTO DE SAÚDE COM AS INDÍGENAS MULHERES NA AMAZÔNIA. DURANTE O TRABALHO FOI REALIZADA ENTREVISTA COM INDÍGENAS MULHERES QUE RELATARAM SUAS EXPERIENCIAS NO ANTEDIMENTO DE SAÚDE NOS CENTROS URBANOS. COMO RESULTADO PODE SER CONCLUÍDO QUE DE FATO AS QUESTÕES DE GÊNERO INFLUENCIAM NA SAÚDE DAS MULHERES, NÃO APENAS COMO FÍSICO E BIOLÓGICO, MAS TAMBÉM, LEVANDO EM CONSIDERAÇÃO A RELAÇÃO CULTURAL.

Yasmin Carina Nunes Nogueira, Franciane Gama Lacerda

Uma aparência sã e florescente: representações da saúde feminina nos jornais paraenses (1910 - 1920)

 No início do século XX, os jornais publicavam diariamente uma série de anúncios que propagavam o ideal de corpo feminino saudável e belo. Apontavam o sexo como dado biológico determinante na condição de doenças nas mulheres, isto é, mulheres estavam condicionadas a loucura, histeria e ataques nervosos. Assim, era essencial controlar o corpo das mulheres para que esses “males” não as impedissem de cumprir os papéis estabelecidos socialmente. Partindo disso, o objetivo principal do trabalho é investigar os discursos das propagandas referentes ao corpo feminino em jornais paraenses entre 1910 a 1920 e, de modo específico, identificar as propagandas voltadas para o público feminino, bem como entender as representações femininas veiculadas nas propagandas pesquisadas. A documentação usada foram as propagandas encontradas nos jornais Estado do Pará e Folha do Norte entre 1910 a 1920.

Maura Sabrina Alves do Carmo

Litigância Estratégica em prol da Descriminalização do Aborto: Usos, Sentidos e Práticas na Clínica de Atenção à Violência.

A descriminalização do aborto é questão de saúde pública, pois, quando legal, é feito sobre condições seguras. A criminalização atinge principalmente as mulheres negras de baixa renda, pois as mulheres podem estar inseridas em mais de um contexto de opressão, que seriam as interseccionalidades, como defende Crenshaw. Em contraponto, a Clínica de Atenção à Violência da Universidade Federal do protocolou ao STF o Amicus Curiae–ADPF 442 sobre a questão supracitada pela vida das mulheres. Objetivo: demonstrar como o método de litigância estratégica atua em prol da descriminalização do aborto pela atuação da CAV/UFPA. Método: levantamento bibliográfico sobre a prática do aborto e as competências institucionais para a produção do Amicus Curie. Resultados alcançados: a produção do Amicus Curiae–ADPF 442, juntamente com o NDDH/DPE, que foi protocolado ao Superior Tribunal Federal.

Ana Doroteia Santos Dias

O perfil das vítimas de Feminicídio na Região Metropolitana de Belém do Pará a partir das reportagens do caderno policial do Jornal “Diário do Pará”, no período de 2006 a 2015.

No presente trabalho abordarei sobre o crime de Feminicídio a partir da análise do jornal Diário do Pará, entre os anos de 2006 a 2015. Os estudos sobre Feminicídio destacam que esse crime faz parte do estágio final de um histórico de violência doméstica que as mulheres sofrem ao ponto de morrerem. Sendo assim, o objetivo é traçar o perfil das vítimas encontradas no caderno policial do jornal e relacioná-las às estatísticas computadas pelo Mapa da Violência, visando entender como essas mulheres amazônicas são representadas nos discursos jornalísticos e até que ponto o jornal contribui para a perpetuação das estruturas de opressão feminina. O recorte temporal do estudo é demarcado a partir da implantação da Lei nº 11.340 conhecida como Lei Maria da Penha em vigor a partir do dia 22 de setembro de 2006 e a Lei n° 13.104 sancionada no dia 09 de março de 2015 que criminaliza o Feminicídio.

MARCIO YROCHY SALDANHA DOS SANTOS, ANA LÍDIA NAUAR PANTOJA, GLENDA KEYLA CHINA QUEMEL

As Principais demandas de cuidado na assistência a população LGBTI+

INTRODUÇÃO: Tem-se que a sexualidade humana é a combinação de três principais fatores: biológico, psicológico e social. Composto por três elementos, sexo biológico, orientação sexual e identidade de gênero. Considerando a forma que a cultura está ligada diretamente a ideologias arcaicas e conservadoras que afetam a saúde deste grupo. OBJETIVO: Identificar as principais demandas de cuidados em saúde de um grupo LGBTI+ em Belém-PA e região metropolitana. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo de natureza básica, com abordagem qualitativa, de objeto exploratório utilizando a pesquisa etnográfica. RESULTADOS: Quais as principais demandas de cuidado que um grupo LGBTI+ pertencente ao município de Belém-PA e região metropolitana? Esta pesquisa ainda está em andamento, já que este estudo foi aprovado no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica da Universidade do Estado do Pará.

Carla Ramirez,RAQUEL SERRUYA ELMESCANY

A Implementação de Políticas Públicas no Combate à Violência contra a Mulher no Pará (2014-2018)

 A Lei Maria da Penha institui a obrigatoriedade dos Estados em implementar políticas públicas voltadas a combater à violência de gênero, como a criação de serviços especializados. No entanto, observa-se desafios na implementação destes serviços, como restrições orçamentárias e descontinuidade das políticas, em especial na região Amazônica. O objetivo do artigo é analisar o processo de implementação das políticas públicas de gênero no Estado do Pará, com uma análise a partir dos recursos orçamentários alocados pelo governo estadual nos últimos 4 anos, por intermédio do programa Pro Paz Mulher. Trata-se de pesquisa de caráter descritivo e exploratório, com base em dados secundários e bibliográficos. Os resultados mostram que apesar dos avanços, nota-se falta de integralidade na prestação dos serviços, insuficiência de dados disponíveis e ineficiência nos serviços prestados à mulher.

Alice Cáritas Almeida Amarante

A romantização do abuso pelas histórias de ficção

 O presente trabalho aborda a romantização do abuso pelas histórias de ficção, com foco em relacionamentos heterossexuais, onde a mulher é a vítima de abuso. No intuito de expor a carga problemática de diversas formas de violência contra a mulher que existem por trás de tantas histórias consideradas românticas, trago à tona relatos de mulheres que foram vítimas de relacionamentos abusivos e relaciono a uma análise crítica de três ficções científicas que camuflam esses relacionamentos: o filme Esquadrão Suicida, e a saga Crepúsculo, juntamente com a trilogia 50 Tons de Cinza. Afim de embasar as discussões referentes a relacionamentos abusivos e formas de violência, terei como aporte teórico Tânia Mendonça Marques (2005). Com a finalização da pesquisa, conclui-se que a romantização do abuso pelas histórias de ficção, segue na contramão das lutas de combate à violência contra a mulher.

ELCIONE DA SILVA E SILVA, MARIA LUZIA MIRANDA ALVARES

Políticas Públicas De Atendimento Às Mulheres Vítimas De Violência No Estado Do Pará: Da Proposta Orçamentária À Implementação Dos Serviços

 Esta investigação se pautou em analisar a aplicação dos recursos estaduais e federais recebidos para implementação de políticas públicas para mulheres e caracterizar os serviços de atendimento as mulheres vítimas de violência implementadas no estado do Pará, tais como os Centros de Referência Especializados e Delegacias Especializadas de Atendimento as Mulheres, no período de 2007 a 2016. Trata-se de um estudo de caso, com a metodologia usando procedimentos de levantamento de dados documentais e orçamentários e formulário de entrevistas aplicado as/aos funcionários/as atuantes nos serviços de atendimento às mulheres vítimas de violência, dados apresentados pelo método quantitativo e qualitativo, em conjunto. Houve diálogo com a literatura sobre violência de gênero, feminismos, políticas públicas, partidos políticos, orçamento público e outros conceitos trabalhados na ciência política.

Flamilda De Moares Paiva, Sandra Nazaré Dias Bastos

A garota dinamarquesa: fuga ao padrão dicotômico de homem e mulher no século xx

 O livro de inspirado na vida real de Einar Wegener (Lili Elbe) na década de 20 transcende o tempo tornando-se atual e urgente à discussão sobre o tema abordado. O presente trabalho objetiva apresentar uma análise do que é “ser” mulher e homens dentro dos padrões sociais do início do século passado, distingui teoricamente sexo e gênero, proporcionando reflexões teórica para melhor compreender pessoas transgêneros e seus enfrentamentos. Para tanto, adota-se uma metodologia de pesquisa bibliográfica, já que, se faz pungente fomentar discussões a respeito dos direitos velados, os enfrentamentos e resistências desta parcela da sociedade. Tendo em vista, que este texto trata-se de um recorte da pesquisa de mestrado intitulada “A inclusão de mulheres transgêneros no contexto educacional” vinculada ao Programa de Pós-Graduação de Linguagens e Saberes na Amazônia, da Universidade Federal do Pará.

Danillo Pietro Ferreira Azevedo, Telma Amaral Gonçalves

Transgeneridade, uma experiência de resistência

 Neste ensaio utilizo minha experiência pessoal como homem trans e a trajetória de quatro pessoas trans e travestis relatada no livro "Vidas trans - a coragem de existir" ( ver o ano) para pensar a transgeneridade enquanto uma vivência marcada pela violência e exclusão. Para tal, procuro dialogar com as vozes de diversos autores e autoras que estudam a temática no sentido de apontar que as identidades de gênero são construções sociais e que a transfobia que atinge cotidianamente a vida das pessoas trans é fruto da lógica essencialista segundo a qual os corpos são definidos a partir de uma perspectiva biológica que estabelece e define lugares fixos e imutáveis para os gêneros. As experiências apresentadas apontam para vidas marcadas pelo estigma, pelo silenciamento, pela violência e pela imperiosa necessidade de a cada dia resistir para (re)existir.

Lídia Sarges Lobato, Joyce Otânia Seixas Ribeiro

Mulher-artesã do miriti: entre a esfera pública e produção da diferença

 O presente trabalho resulta de uma experiência etnográfica, que se estendeu por quatro meses, em um dos ateliês de produção de brinquedo de miriti, na cidade de Abaetetuba/Pa. Nosso objetivo para o momento é tecer uma reflexão acerca da mulher-artesã do brinquedo de miriti, emaranhada pelas relações de gênero e a produção da diferença. Embasadas nos aportes teóricos dos Estudos Culturais e dos Estudos de Gênero, estamos sendo desafiadas a pensarmos tais questões. A etnografia foi a metodologia escolhida. Os resultados foram: temos uma mulher que cruza as fronteiras do espaço privado e da esfera pública, em uma trama de aceitação, negociação e resistência; ao entrar na bicentenária tradição do brinquedo de miriti, a mesma começa a borrá-la, reinventado seus significados, diluindo binarismo, produzindo casais homoafetivos, tensionando a heterossexualidade compulsória.

Robelania Dos Santos Gemaque, Natália Conceição Da Silva Barros Cavalcanti

Gênero e sexualidade integrados às bases conceituais e teóricas da educação profissional e tecnológica.

 Estudos na temática "gênero e sexualidade", relacionados á educação (LOURO, 1997;2001;2007); (MACIEL & GARCIA, 2018) e ao trabalho (LIMA NETO, CAVALCANTI &GLEISE, 2018) (FRIGOTTO, 1999;2009;2015) sugerem que há uma anseio nas articulações entre estes eixos temáticos. O resumo apresenta resultado preliminar de pesquisa junto ao Mestrado Profissional-IFPA. Tem como objetivo contribuir para ampliação da visibilidade sobre discussões e propostas que envolvem gênero e sexualidade, tanto nas produções acadêmicas quanto nas práticas educativas. A metodologia fundamenta-se na revisão bibliográfica seguida de pesquisa-ação com a colaboração de dez estudantes do curso de design integrado da EETEPA-ICOARACI. Os resultados preliminares apontam; a) a invisibilidade do tema nas abordagens no cotidiano escolar, bem como nas práticas educativas; b) a importância do debate sobre o tema na escola.

Sabrina Figueiredo Sousa

Corporiedades e Identidades: Hip-hop e Mulheres que dançam Break

 O Hip Hop que em sua construção teve quatro elementos fundantes: Break, Mc, DJ e o Grafite. Entendendo também contextos atuais a expressão do Quinto elemento, o conhecimento sobre as construções físicas e simbólicas. Objetivo é analisar a trajetória femininas no Break, construção do conhecimento sobre hip-hop e a permanência de mulheres, espaço (organização e resistência) de segurança. Metodologia utilizada foi a observação participante na perspectiva decolonial. Resultados são perspectivas construídas em uma década da construção dessas trajetórias, resistir transitando sobre a necessidades de fala desta corporeidade e o dançar, o fazer hip-hop conjunto as relações que são construídas com outras mulheres dentro e fora dos espaços, para estratégias de permanência e (re)construção das suas identidades, afirmação no movimento político cultural e artístico, enfrentamento a invisibilidade.

Lorena de Paula Ferreira do Nascimento, Katherine Vitoria Damásio Silva, Luanna Tomaz de Souza

O aborto e as interpretações kantianas frente à concepção gestacional

INTRODUÇÃO: compreender as interpretações sobre a filosofia de Immanuel Kant quanto à concordância ou dissonância moral sobre o aborto ante os posicionamentos do movimento feminista e da Igreja Católica. OBJETIVO: analisar as dúbias interpretações de Kant quanto à moralidade em torno do processo abortivo e como suas ideias são empregadas para respaldar posicionamentos da dogmática cristã e dos movimentos feministas. METODOLOGIA: caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, utilizando-se da literatura científica como fonte. RESULTADOS: considerando a dualidade interpretativa de Kant, a pesquisa concluiu que essas acepções fundamentam bases morais opostas entre si, percebendo que o feminismo utiliza-se dos conceitos kantianos de forma mais substancial e fundamentada, alinhando-se ao direito à dignidade, à igualdade e à autonomia da mulher, para postular a descriminalização do aborto.

Adria Milena Alves da Cunha, Antonio Otaviano Vieira Júnior

A comercialização virtual do corpo feminino: um mapeamento da prostituição de luxo em Belém e análise da subjetividade das mulheres de "vida fácil".

A pesquisa desenvolvida tem como foco principal a compreensão dos bastidores da prostituição de luxo em Belém na história do tempo presente, por meio da análise da subjetividade feminina para com o exercício desta atividade e dos mecanismos de atuação dessas mulheres na atualidade. Mediante o mapeamento de dois sites utilizados como ferramentas de divulgação pelas próprias prostitutas e análise bibliográfica pertinente, o trabalho propõe uma série de discussões acerca das representações sociais das prostitutas de luxo na capital paraense, sob uma diferente perspectiva: a de inserção destas mulheres como protagonistas de suas próprias vivências e desejos. Ao engendrar debates em torno da histórica opressão à sexualidade feminina, autonomia, preconceitos e peculiaridades do ambiente de luxo da prostituição, busca-se um novo entendimento do tema a partir da valorização do olhar feminino.

Vanderlúcia da Silva Ponte

A cosmopolítica do corpo da mulher Tenetehar-Tembé

A proposta do estudo consiste em analisar as relações entre o corpo da mulher com os espíritos O estudo parte da hipótese de que “Ser mulher” na cultura Tenetehar-Tembé tem uma importância vital para a reprodução e organização social e política do grupo, pois sendo a mulher carregada de poderes e perigos, que ultrapassam seu corpo e seu pensamento, ela pode interditar ações, renomear sentidos na esfera política e intercambiar relações entre humanos e não humanos, pois sendo seu corpo marcado pela diferença, tendo o sangue um elemento de atração e repulsa dos espíritos (BELAUNDE,2006) é nesse corpo, que se constituem as marcas de sua alteridade e do outro.

Vic Argôlo Da Silva, Lucivaldo Almeida Alves, Ana Lídia Nauar Pantoja

Binaridade de Gênero: percepções sobre corporeidades entre um grupo jovens em Belém, Pará.

 Estas reflexões fazem parte de debates realizados no grupo de estudos e pesquisa do qual também fazemos parte na Universidade. Nosso objetivo aqui é discutir os aspectos da binariedade de gênero como marcadores das corporeidades dos jovens. Trata-se de uma pesquisa exploratória com uso de análise de conteúdo dos relatos de experiências do referido grupo, atentando à dicotomia feminilidade/masculinidade. Vale ressaltar que as questões discutidas são debatidas à luz da interseccionalidade, pois o grupo refere com frequência e constrói seus argumentos e ponderações sob os temas a partir do seu local de fala. Observa-se assim, que a abordagem realizada configura-se como uma discussão dos impactos binários de gênero em subjetividades e corporeidades de indivíduos na sociedade e como precisamos fomentar cada vez mais esta discussão.

Dábila de Cássia Brito de Miranda, Carmentilla das Chagas Martins

Erotização e sexualização do corpo: representações sociais da mulher brasileira

Entende-se que as representações sociais são múltiplas formas de conhecer e se fazer conhecer,sendo essa diversidade decorrente da manifestação de distintas intencionalidades. Esse texto se propõe discutir as representações sociais que erotizam e sexualizam a mulher brasileira na cidade de Oiapoque. Para isso, foram realizadas pesquisas bibliográficas através de documentos sobre como as mídias representam a mulher brasileira. Nos limites deste ensaio são analisadas algumas propagandas sobre o turismo no Brasil. Os dados empíricos refletidos foram coletados em duas viagens a cidade de Oiapoque, em maio de 2017 e outubro de 2018, quando foi aplicada a técnica da observação direta. Como resultados as representações sociais que sensualizam e sexualizam as brasileiras,têm desdobramentos diretos nos projetos migratórios dessas mulheres.

Alana Albuquerque de Castro, Cristina Donza Cancela

Arco-Íris Em Prosa: Representações das homossexualidades e de travestis na Ditadura Civil-Militar em reportagens dos periódicos da década de 1970.

Durante o período da Ditadura Civil-Militar, mais precisamente na década de 1970, as homossexualidades e as travestis ganhavam grande destaque não só no Brasil como no mundo. O movimento gay power trazia à tona uma geração cansada de se esconder e de negar os seus desejos. O objetivo deste trabalho é através de uma análise semântica dos periódicos paraenses A Província do Pará e Folha Vespertina, analisar a abordagem e o discurso contido em algumas reportagens desses jornais na década de 1970 sobre a homossexualidade feminina, masculina e as travestis. A maneira que os mesmos observavam essas questões e a forma que eles perpetuavam essa informação ao leitor, mostrando sua relação com o período da Ditadura em questão. Esses periódicos foram selecionados por fazerem parte do grupo de jornais paraenses mais significativos da época e que apoiavam a Ditadura Civil-Militar.

Bárbara de Nazaré Pantoja Ribeiro

Diversidade sexual e de gênero entre o povo indígena Assuriní do Trocará: primeiras percepções.

Neste trabalho inicia-se uma abordagem sobre diversidade sexual e de gênero entre os indígenas Assuriní da reserva Trocará em Tucuruí/PA. As lacunas que aceiram a temática são eminentes e poucos ainda são os estudos que se atentam as suas problematizações em contextos etnicamente diferenciados. Por tal questão, busca-se evidenciar o quanto o tema é propenso a ser investigado entre esse povo, por fazer parte dos variados espaços que constituem suas vivencias. A priori, através de pesquisa etnográfica e das técnicas da história oral, verifica-se que os indígenas que apresentam sexualidades para além da heterossexualidade, tem atuação ativa ali dentro e desenvolvem funções diversas em muitos ambientes da reserva, seja no campo social, político, econômico e cultural, assim como, são livres para vivenciarem e expressarem suas sexualidades de maneira fluída sem restrições dos demais moradores.

Inácio dos Santos Saldanha

Onde está a bissexualidade para a teoria queer? Uma análise sob luz da teoria bissexual

Este trabalho tem como objetivo analisar as abordagens da bissexualidade nos textos seminais da teoria queer; para tanto, foram estudadas as obras de maior relevância, além de trabalhos em que os autores falaram explicitamente sobre a bissexualidade: Diana Fuss (1989), Sedgwick (1990), Edelman (1994), Butler (2003, 1995), Warner (1999) e Halperin (1995, 2003, 2009). O referencial teórico foi a teoria bissexual (ANGELIDES, 2006; MACDOWELL, 2009; YOSHINO, 2000; EISNER, 2013). Como resultado da análise, nota-se que os teóricos queer, apesar de sua crítica ao dualismo, acabaram por privilegiar a leitura da experiência homossexual em detrimento da bissexual; reproduzindo de diferentes formas o apagamento bissexual (YOSHINO, 2000). Reiteramos que, para um uso mais justo do conceito de heteronormatividade (WARNER, 1999), é necessária a inclusão da monossexualidade como forma de normatividade.

José Carlos Almeida da Rosa, Fabiano de Souza Gontijo

Para além do arco-íris: a relação dos homens gays com a cultura material na 18º Parada do Orgulho LGBTI de Belém

Estudar os objetos que fazem parte das sociedades na contemporaneidade é um assunto que nos ajuda a compreender de que forma a cultura material está presente na vida dos atores, cria conexões, fortalece a ideia de pertencimento a um determinado grupo social e, consequentemente, ajuda nos processos de sociabilidades entre os sujeitos. Isso se torna ainda mais complexo quando observamos as coisas relacionadas às categorias de sexualidade. Deste modo, esta pesquisa parte de uma etnografia realizada na 18° Parada do Orgulho LGBTI de Belém, e tem como propósito analisar os objetos que compõem o universo do homem gay belenense a partir da ideia de agência que eles possuem sobre os indivíduos e seus corpos, assim como também influenciam nas relações sociais existentes dentro do movimento. Os dados que serão apresentados são preliminares de uma pesquisa que está em andamento.

Jackson Santos de Sousa, Jailson de Macedo Sousa

Territorialidades homossexuais na cidade de ImperatrizMa: reflexões a partir da realidade social vivenciada no bar “Imigrantes”

No presente estudo refletimos e buscamos compreender acerca das territorialidades constituídas por grupos LGBTs, no qual, gays e/ou lésbicas se apropriam de um determinado território, projetando neste, suas identidades. Pode-se notar que a construção do território e, consequentemente, as territorialidades dos sujeitos contribuem para a construção das suas identidades. Procurou-se entender de início os múltiplos significados de território e de territorialidade, tendo em vista a identidade territorial do bar Imigrantes. Buscamos trabalhar nesta pesquisa a concepção de território, levando-se em conta a dimensão simbólico-cultural, que é caracterizada por construir o território através das vivencias das pessoas, que simbolizam a cultural praticada.

Sara Soares de Araújo, Jacqueline Tatiane da Silva Guimarães

Gênero E Raça Na Amazônia: Reflexões Sobre As Produções Cientificas Do Serviço Social

Refletimos sobre gênero e raça nas produções acadêmicas do Serviço Social da região amazônica. Objetivos: i) Verificar as principais abordagens sobre gênero e raça nas produções científicas do Serviço Social e ii) Analisar as principais modalidades de produções científicas sobre gênero e raça realizadas no campo teórico do Serviço Social. A pesquisa é exploratória, quantitativa e qualitativa, no qual partimos de levantamento bibliográfico, tomando artigos dos principais periódicos da área mencionada e dissertações e teses disponibilizadas em plataformas de programas de pós-graduação da região amazônica. As pós-graduações em Serviço Social na Amazônia, ainda se encontram em processo de consolidação, predominando cursos de mestrado. As produções sobre gênero e raça são incipientes, destacando-se, artigos publicados em periódicos e anais de evento.

Samara Tirza Dias Siqueira, Luanna Tomaz de Souza

Feminicídio Negro: Uma Análise Das Taxas De Feminicídio A Partir Do Paradigma Interseccional.

A presente pesquisa visa analisar as taxas de feminicídio no país a partir do paradigma interseccional. Assim, indaga-se: “De que forma o paradigma interseccional pode contribuir para compreensão das taxas de feminicídio no Brasil?”. Neste ensaio, foi empregado o método dedutivo, partindo do paradigma interseccional como premissa para analisar o contexto do feminicídio no país. Será feita uma análise histórico-social da realidade das mulheres no país, em especial das mulheres negras, avaliando os fatores de influência. A pesquisa é teórica, com análise qualitativa e quantitativa dos materiais, e utilização de fontes bibliográficas, legislativas e dados. Verifica-se que a mulher negra é mais vulnerável ao feminicídio por ser atravessada por dimensões opressivas coloniais de raça e de gênero que lhe impõe menor acesso à tutela estatal e mais obstáculos para sua autonomia.

Alandienis Souza Santos, Anna Maria Alves Linhares

Gestoras E Os Casos De Sexismo, Machismo E Invisibilidade Nas Escolas Do Campo.

Este artigo socializa o resultado de uma pesquisa realizada com gestoras de escolas do campo da cidade de Tomé-Açu, PA, abordando a histórica invisibilidade das mulheres e a violência dos processos de educação no campo, especialmente o machismo que atinge as gestoras. Ao fim do trabalho, apresenta-se uma sugestão de plano de aula interdisciplinar sobre feminismo, a ser utilizado nas escolas do campo. 

Joyce Otânia Seixas Ribeiro, Maylana Emanuelle Pereira dos Santos, Clarice Almeida dos Santos

A “Produção Generificada” Do Brinquedo De Miriti: Marcas De Colonialidade E O Imperativo Do Feminismo Decolonial

O objetivo é analisar os traços de colonialidade presentes na produção generificada do brinquedo de miriti. Contamos com as contribuições de Quijano (2005), Mignolo (2005, 2008), Lugones (2008, 2011), e com pesquisadores do colonialismo lusitano, como Del Priore (2006, 2011, 2016). As informações foram produzidas por meio de trabalho de campo etnográfico (CLIFFORD, 1998, 2002) por dez meses em dois ateliês de produção. Os resultados informam que a produção generificada é produto da colonialidade de gênero característica da aventura colonial lusitana; a produção generificada se caracteriza pelo separatismo, pela hierarquia e pela desigualdade entre artesãos e artesãs, com desvantagens para as mulheres, como a inferiorização e a invisibilização. Uma possibilidade de resistência surge do feminismo decolonial que, por meio da interseccionalidade, constrói outra arte de ser e de viver. 

Nathália de Sousa Fonseca

Relações De Poder E Interseccionalidades Na Atuação Digital Dos Coletivos Feministas Banzeiro Feminista (Am) E Rede De Mulheres Negras (PA)

Investigamos as interfaces entre as Relações de Poder (ALLEN, 1998; 1999) e as interseccionalidades (CRENSHAW, 1989) de opressões na atuação dos coletivos Rede de Mulheres Negras (PA) e Banzeiro Feminista (AM) em suas fanpages no facebook, objetivando compreender como a dominação, o empoderamento e a solidariedade emergem atreladas a marcadores sociais de diferenças. Metodologicamente, mobilizamos o referencial teórico para buscar as marcas de relações de poder (CAL, 2016) e intersecções na análise de postagens coletadas com suporte do netvizz. Dentre os resultados, destacamos: (1) poder como dominação e marcas de gênero e raça, se desdobram em formas de apagamento e denegação; (2) empoderamento – observamos diante das mesmas intersecções uma busca por empoderamento intelectual; (3) solidariedade – as ativistas têm trabalhado com de semânticas coletivas que tensionem a dominação. 

Alessandra Viviane Vasconcelos Bezerra, Danielle Silva da Silva

A Subalternização Na Vida Mulheres Negras Como Empregadas Domésticas No Mercado De Trabalho De Belém Trajetórias De Vida No Século XXI

O presente trabalho objetiva tratar de vidas de mulheres negras como empregadas domésticas no mercado de trabalho de Belém, expondo as minunciosas pesquisas já existentes , documental e bibliográficas, entrecruzando dados se observar a posição social em que mulheres negras domésticas paraense e sua posição social, como consequência de seu passado cravos tá que a condiciona a uma situação subalterna. Procura-se observa suas especificidades de mulher negra sua raça e classe e gênero. A partir de relatos de mulheres se observam seus sonhos e suas perspectivas, as faltas de políticas públicas para ascensão e inclusão social no mercado de trabalho na capital de paraense. Analisa-se a partir de recursos epistemológica das interseccionalidade e a teoria do feminismo Negro para a compreensão das realidades dos fenômenos sociais.

Luciane De Sena Camões

“Que Mulher Capoeira!”: Trajetórias De Resistência Feminina Na Capoeira No Pará Do Século XXI

Este trabalho intenciona discutir a trajetória de algumas capoeiristas no Pará. O título faz referência a um dos indícios mais antigos de mulheres capoeiras no Pará, fonte histórica citada por Oliveira e Leal (2009). Atualmente há um número significativo de mulheres ocupando esses espaços, entretanto a luta por visibilidade e protagonismo continua constante. Portanto, analiso as trajetórias de resistência de algumas capoeiristas no Pará, mulheres de diferentes lugares, espaços e estilos, e as relações de gênero evidenciadas; de modo específico busco refletir sobre suas experiências e as ações de fortalecimento. Realizo uma pesquisa de campo buscando contribuições da antropologia interpretativa de Geertz (2008). Com a pesquisa, nota-se avanços quanto ao reconhecimento e graduações, mas as mulheres continuam vivenciando situações de violência e reprodução do machismo e sexismo.